A convocação e confirmação se comprova nas redes sociais, onde os profissionais se mostram desejosos de melhorias, e controle de abuso dos sucessivos aumentos de combustíveis no país
Jornal Clarín Brasil JCB News – Brasil 31/10/2021
Anunciada e confirmada para 1º de novembro (segunda-feira), a greve dos caminhoneiros deve ser mantida, é o que diz o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, o “Chorão“. Neste domingo (31), Chorão foi às redes sociais e fez um apelo convocando os caminhoneiros de todo país a aderirem à paralisação.
“Estou aqui buscando o apoio de todos os outros seguimentos para fortalecer a nossa luta, para que o governo tenha sensibilidade e retire o PPI, a Política de Preços de Paridade de Importação. Peço apoio de todos os nossos irmãos caminhoneiros, porque a partir de amanhã vamos cruzar os braços”, declarou o líder caminhoneiro, em um vídeo gravado às margens da uma rodovia no estado de São Paulo.
No início do mês, as entidades de representação de caminhoneiro do Brasil inteiro declararam estado de greve após reunião no Rio de Janeiro. As organizações estimam receber apoio de mais de um milhão de caminhoneiros que circulam país à fora.
O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí (RS), Carlos Alberto Litti Dahmer, também foi às redes sociais e divulgou um vídeo, onde aparece falando aos caminhoneiros que cruzem os braços, a partir desta segunda-feira. “Todos a luta! É um movimento de mobilização que já se inicia aqui pelo Rio Grande do Sul, se inicia por Santos, se inicia por vários pontos do país e deve ter continuidade no dia de amanhã”, afirmou Litti, em tom enérgico.
Entre as principais reinvindicações da categoria estão a revisão da política de preços dos combustíveis na Petrobras, o estabelecimento de um valor mínimo de frete e a melhoria e construção de novos pontos de descanso para a categoria, que há anos vem reclamando da falta de apoio por parte das empresas e governantes. Os caminhoneiros estão com uma proposta de preços do óleo diesel para apresentar ao governo. Eles atacam a política de preço de paridade de importação (PPI), adotada pela Petrobras, que vem onerando, e muito, a população brasileira, inclusíve a eles próprios, profissionais das estradas, e propõem a política de preço de paridade de exportação (PPE), baseada exclusivamente em custos nacionais.
Durante a semana passada, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, chegou a minimizar a greve, declarando não acreditar que a adesão dos caminhoneiros fosse grande. A infeliz declaração do ministro, porém, parece ter acirrado os ânimos da categoria. Desde os últimos dias, alguns segmentos da economia, especialmente no setor varejista, já tinham anunciado planos de contingência para prevenir possíveis situações de desabastecimento. O maior temor é que, às vésperas do feriado de Finados, na terça-feira (2), os caminhoneiros fechem as rodovias do país, o que pode nos fazer reviver o caos instalado nas rodovias, durante a greve de 2018.