Lula ainda declarou que ele não pode “ficar me preocupando” com esse tipo de ruído diplomático

Jornal Clarín Brasil JCB News – Brasil 11/11/23
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista veiculada nesse domingo (10), que “Maduro é problema da Venezuela, não do Brasil”. “Eu vou cuidar do Brasil, o Maduro cuida dele, o povo venezuelano cuida do Maduro, e eu cuido do Brasil. E vamos seguir em frente”, completou.
O chefe do Executivo rompeu silêncio sobre relação estremecida entre os dois países em conversa com os senadores Jorge Kajuru (PSB-GO) e Leila Barros (PDT-DF) gravada pela RedeTV! na última quarta (6) e exibida na íntegra ontem.
“Eu aprendi que a gente tem que ter muito cuidado quando a gente vai tratar de outros países e de outros presidentes. Eu acho que o Maduro é um problema da Venezuela, não é um problema do Brasil”, disse o petista. “Eu quero que a Venezuela viva bem, que eles cuidem do povo com dignidade”.
Lula ainda declarou que ele não pode “ficar me preocupando” com esse tipo de ruído diplomático. “Ora brigar com a Nicarágua, ora brigar com a Venezuela, ora brigar com não sei com quem. Tenho é que tentar brigar para fazer esse país dar certo”,
Sobre as eleições presidenciais na Venezuela, que terminaram com Nicolás Maduro reeleito em resultado questionado pela oposição e por outros países e órgãos internacionais, Lula afirmou que o Brasil acompanhou o processo eleitoral e pediu transparência na apuração.
“E, no dia que terminou [sic] as eleições, o meu ministro, que era meu enviado lá, Celso Amorim, perguntou pro Maduro se ele poderia mostrar as atas da votação. Perguntou pra ele e perguntou pro candidato da oposição [Edmundo González Urrutia]. Os dois disseram que iriam mostrar. A verdade é que os dois não mostraram”, justificou. O Brasil não reconheceu a vitória de Maduro.
“Nós fizemos uma nota, junto com Colômbia, dizendo da nossa inquietação de você não ter uma prova do resultado eleitoral. Ele deveria ter mandado a nota para o Conselho Nacional Eleitoral, que foi criado por ele próprio, que tinha dois membros da oposição e três do governo. Ele não mostrou. Foi direto pra Suprema Corte”, relembrou Lula.
“Não tenho o direito de ficar questionando Suprema Corte de outro país, porque eu não quero que nenhum outro país questione a minha Suprema Corte”, disse ainda o petista.
Tensões entre Brasil e Venezuela
Apesar do histórico amistoso entre Lula e Maduro — o presidente venezuelano foi recebido como chefe de Estado em 2023 —, as relações se estremeceram ao longo de 2024, mesmo antes das eleições.
Quando a líder da oposição, María Corina Machado, foi impedida de disputar, o Itamaraty emitiu nota dizendo acompanhar o pleito com “preocupação”. A Venezuela reclamou do posicionamento brasileiro.
Pouco antes das eleições, Maduro disse, sem citar provas, que as eleições no Brasil não são auditadas, em acusação rebatida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
#LoÚltimo |???️ Lula: “Maduro es un problema da Venezuela, no un problema de Brasil”
— EVTV (@EVTVMiami) November 11, 2024
? El presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, aseguró que no puede estar preocupándose de lo que sucede en Venezuela, y que Nicolás Maduro no es su problema.
"Maduro es un problema de… pic.twitter.com/5DK6eAhlvV
Novas crises ocorreram em outubro, quando o Brasil vetou entrada da Venezuela no Brics. O país de Maduro classificou a posição brasileira como “agressão inexplicável”. O assessor de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, declarou que “houve uma quebra de confiança” entre os países sobre eleição no país vizinho.
A Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela chegou a publicar uma imagem com bandeira do Brasil, referência a Lula e mensagem em tom ameaçador: “Quem mexe com a Venezuela se dá mal”. Depois, o post foi apagado.
A Venezuela ainda convocou de volta o embaixador Manuel Vadell. Decisão costuma significar descontentamento e indica que um governo não se enxerga como bem-vindo em outro território.
Em nota, Itamaraty relatou ver com “surpresa o tom ofensivo adotado por manifestações de autoridades venezuelanas em relação ao Brasil e aos seus símbolos nacionais”. Novamente, governo da Venezuela repudiou o que chamou de “agressão” do Brasil a Maduro.






