A primeira cúpula de dois dias foi concluída com uma declaração final de 126 artigos abordando a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, a crescente violência no Oriente Médio e a reforma “urgente” da ONU, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Jornal Clarín Brasil JCB News – Brasil 07/07/25
Os líderes dos BRICS, reunidos no Rio de Janeiro desde domingo, rejeitaram o protecionismo comercial, mas evitaram choque frontal com Donald Trump, que sempre esteve presente nas entrelinhas do encontro.
O fórum, formado por onze países do Sul Global e liderado por China e Rússia, realizou sua 17ª reunião de chefes de Estado e de governo no Museu de Arte Moderna do Rio, sob forte esquema de segurança e marcado pela ausência do líder chinês Xi Jinping e de Putin, que participaram remotamente.
A primeira cúpula de dois dias foi concluída com uma declaração final de 126 artigos abordando a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, a crescente violência no Oriente Médio e a reforma “urgente” da ONU, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.
Críticas ao protecionismo
Nas discussões econômicas, houve apoio enfático ao multilateralismo e rejeição às medidas protecionistas, que incluem tarifas “indiscriminadas” e medidas não tarifárias.
“A proliferação de medidas restritivas ao comércio, seja na forma de aumentos indiscriminados de tarifas e medidas não tarifárias ou protecionismo sob o pretexto de objetivos ambientais, ameaça reduzir ainda mais o comércio global”, afirmaram os líderes do BRICS na declaração divulgada na cúpula.
No entanto, a declaração não fez nenhuma menção direta a Trump ou aos EUA, ocorrendo três dias antes do término da trégua de 9 de julho concedida pelo magnata americano para implementar as tarifas, tendo fechado acordos com o Reino Unido, China e Vietnã, enquanto negociava com mais de uma dúzia de parceiros, incluindo a Índia.
“Expressamos sérias preocupações sobre o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio”, afirma o documento.
O professor Paulo Borba, coordenador do Grupo de Estudos dos BRICS da Universidade de São Paulo (USP), disse à EFE que “é melhor evitar um confronto direto com Trump”, que já ameaçou o grupo com tarifas de 100% caso ele ouse desafiar a hegemonia do dólar.
Além dos Estados Unidos, também houve críticas veladas às políticas ambientais da União Europeia, que podem restringir o comércio de alimentos e produtos agrícolas de áreas onde ocorreu desmatamento.
Nesse sentido, o bloco rejeitou “medidas protecionistas unilaterais, punitivas e discriminatórias sob o pretexto de preocupações ambientais, como regulamentações de desmatamento”, afirma o comunicado.
Impulsionando o comércio em moedas locais
Os BRICS também reafirmaram seu compromisso de promover o comércio em moedas locais entre os onze países do grupo, que respondem por 40% do PIB global e 26% das exportações globais.
O fórum, que já contava com um grupo de trabalho para discutir o aumento do comércio em moedas locais, também iniciou discussões para estabelecer uma iniciativa para garantias multilaterais, que são instrumentos financeiros que protegem investimentos estrangeiros diretos contra riscos não comerciais em países em desenvolvimento.
Os ministros das finanças dos países do fórum também foram convidados a discutir mais a fundo a criação de uma “iniciativa de pagamentos transfronteiriços do BRICS”.
O presidente russo, Vladimir Putin, enfatizou em uma das sessões plenárias da Cúpula que 90% das transferências entre a Rússia e os demais países do grupo já são feitas em moedas nacionais.
Em uma reunião anterior no sábado, os ministros das finanças também endossaram medidas para facilitar o comércio intra-BRICS, que atingiu US$ 422 bilhões em 2022, um aumento de 56% desde 2017, por meio da redução de barreiras não tarifárias e da harmonização de padrões técnicos.
Um apelo à reforma do FMI e do Banco Mundial
A Declaração do Rio também pediu uma reforma urgente das instituições da ONU e de Bretton Woods, referindo-se ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Mundial.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião do encontro, afirmou que os BRICS precisariam ter um poder de voto no FMI equivalente a 25%, bem acima dos atuais 18%, para justificar seu peso econômico.
“As estruturas do Banco Mundial e do FMI apoiam um Plano Marshall, no qual economias emergentes e em desenvolvimento financiam as necessidades dos países mais desenvolvidos”, disse o líder progressista brasileiro.
Da mesma forma, as economias emergentes expressaram seu compromisso com a “restauração urgente” do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que seja “acessível, eficaz, totalmente funcional e vinculativo”, e apoiaram as candidaturas da Etiópia e do Irã para ingressar nessa organização
EFE






