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A Rotina da Dona de Casa – Por Lin Quintino

Desperta os filhos, esquenta o leite, procura o par de meia sumido. Tudo com a precisão de quem conhece cada canto, cada urgência, cada tempo.

A Rotina da Dona de Casa

Lin Quintino

Cinco e meia da manhã. O despertador toca, mas ela já está acordada. O corpo se habituou ao chamado antes do alarme. O silêncio da casa ainda dorme, mas ela se levanta com cuidado, como quem carrega o mundo nas pontas dos pés.

Vai pra cozinha. Café coando, cheiro de pão no forno. Antes mesmo de clarear o dia, ela já clareou o caminho dos outros. Desperta os filhos, esquenta o leite, procura o par de meia sumido. Tudo com a precisão de quem conhece cada canto, cada urgência, cada tempo.

Não há glamour. Só serviço. E amor, aquele que não se escreve em cartões, mas se estende em cama arrumada, roupa passada, lanche embalado.

Depois que todos saem, o silêncio volta. Mas não é paz, é intervalo. Ela começa a faxina. Vassoura, pano, sabão. Poeira debaixo dos móveis, louça acumulada do café. A pia é um espelho opaco da rotina que nunca muda.

Às vezes, sonha. Em meio ao cheiro de desinfetante, imagina a vida diferente. Uma viagem sozinha. Um livro lido até o fim. Um curso de algo que nem sabe se ainda gosta.

Mas o tempo é um patrão exigente. E ela, sem salário ou férias, continua.

Lava, cozinha, estende, dobra. Ouve vizinhos discutindo, o rádio da vizinha da frente, o barulho da rua. Tudo entra na casa, menos o descanso.

À noite, faz o jantar. Espera os filhos voltarem, o marido reclamar do trânsito. Serve a comida, ouve calada, limpa tudo de novo. A novela passa na TV, mas ela assiste só de canto, entre uma panela e outra.

E dorme cansada. Não por um dia fora do comum, mas por ser sempre o mesmo. E amanhã, sem medalhas ou aplausos, ela recomeça. Sempre a mesma rotina…

Lin Quintino

Lin Quintino – Mineira de Bom Despacho, escritora, poeta, professora e psicóloga. Academia das quais faz parte: Academia Mineira de Belas Artes – AMBA / ANLPPB- cadeira 99, / ALPAS 21, sócia fundadora, cadeira 16; / ALTO; / ALMAS; / ARTPOP; / Academia de Letras Y Artes Valparaíso (chile); / Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires; / ACML, cadeira 61 Membro da OPB e da Associação Poemas à Flor da Pele. Autora dos livros de poemas Entrepalavras e A Cor da Minha Escrita. Comendas: destaque literário da ALPAS-21, / Ubiratan Castro em 2015 pela ABRASA / Certificado pela ALAF de Destaque Literário em 2014 7 Troféu destaque Mulheres Notáveis – Cecília Meireles- Itabira/MG, 2014 Participou de várias coletâneas e antologias nacionais e internacionais.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Clarín Brasil – JCB News, sendo elas de inteira responsabilidade e posicionamento dos autores

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