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Acordo comercial entre EUA e União Européia é um ‘fiasco’, diz Marine Le Pen

“Politicamente, porque a União Europeia, com 27 estados-membros, obteve condições piores do que o Reino Unido”

O novo pacto comercial entre União Europeia e Estados Unidos representa, segundo a dirigente francesa Marine Le Pen, um “fracasso” econômico e político que compromete a soberania do bloco europeu.

Formalizado no domingo pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente norte-americano, Donald Trump, o acordo evitou uma escalada tarifária entre Washington e Bruxelas. Pelos termos estabelecidos, a UE ampliará as importações de energia e equipamentos militares dos EUA, enquanto o governo americano reduzirá de 30% para 15% as tarifas aplicadas à maioria das exportações europeias.

Le Pen, integrante proeminente do Reunião Nacional — maior bancada de oposição da Assembleia Nacional da França — condenou o tratado, classificando-o como “um desastre político, econômico e moral” para o bloco.

“Do ponto de vista político, é inaceitável que a União Europeia, composta por 27 países, tenha obtido condições menos vantajosas que o Reino Unido”, afirmou, mencionando o acordo britânico com alíquotas de 10%, amplamente criticado à época.

Ela também acusou Bruxelas de aceitar cláusulas desfavoráveis na importação de gás e armamentos norte-americanos — compromissos que, segundo a líder, nenhum governo francês voltado à defesa dos interesses nacionais aceitaria. “Isso representa a completa capitulação da indústria francesa, bem como da soberania energética e militar do país”, declarou.

Le Pen afirmou ainda que o novo entendimento prejudica os agricultores franceses em benefício do setor automobilístico alemão, ao incluir disposições que, de acordo com ela, ampliam o acesso de produtos agrícolas americanos ao mercado europeu em troca de redução de tarifas sobre veículos fabricados na Alemanha.

“A globalização que ignora e suprime a soberania dos povos está ultrapassada há muito tempo… O mínimo necessário seria reconhecer esse fracasso lamentável em vez de esperar que os franceses, os primeiros impactados, celebrem tal acordo.”

As declarações de Le Pen foram respaldadas pelo ex-primeiro-ministro belga e atual eurodeputado Guy Verhofstadt, que qualificou o pacto como “escandaloso” e “desastroso”, criticando a ausência de contrapartidas por parte dos EUA.

Já o presidente Trump classificou o acordo como “possivelmente o maior já firmado, seja na esfera comercial ou em qualquer outra”, enquanto von der Leyen afirmou que o tratado proporciona “segurança em tempos incertos”, acrescentando que a tarifa de 15% representa “o melhor resultado possível”.

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