O designer por trás da elegância atemporal e do estilo moderno faleceu após quase cinco décadas no comando de seu império

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 04/09/2025
Havia algo nos últimos meses que sussurrava uma despedida. A ausência de Giorgio Armani na Semana de Moda Masculina de Milão, pela primeira vez em sua carreira, já deixava no ar um silêncio estranho, como se o próprio universo da moda estivesse segurando o fôlego.

Hoje, com pesar profundo, o mundo confirma o que o coração já intuía: Giorgio Armani, o mestre da elegância silenciosa, faleceu aos 91 anos, em casa, cercado por seus entes queridos. O Grupo Armani anunciou sua partida com palavras que soam como um tributo à sua alma incansável: “criador, fundador e força motriz”.
Chamado com reverência de Il Signor Armani, ele não era apenas um estilista. Era um arquiteto da sobriedade, um poeta do corte preciso, um guardião da estética que nunca precisou gritar para ser ouvida. Supervisionava cada detalhe, até o cabelo das modelos antes da passarela, como quem cuida de uma obra de arte viva.
Seu império, que movimentava bilhões, nasceu de uma trajetória improvável: estudante de medicina, soldado, vitrinista. Mas foi em Milão, cidade que se tornou extensão de sua identidade, que ele moldou o mundo à sua imagem, com paletós que falavam de poder sem arrogância, com campanhas que respiravam sofisticação.

Recebeu honrarias, prêmios, títulos. Mas talvez seu maior legado seja a forma como nos ensinou que o verdadeiro luxo está na simplicidade. Que a moda pode ser um gesto de respeito ao corpo e à alma.
Neste fim de semana, Milão abrirá suas portas para que os admiradores se despeçam. Mas para muitos, a despedida já começou há tempos, desde aquele desfile em que ele não apareceu, desde aquele silêncio que parecia dizer: “Estou partindo, mas deixo tudo em ordem.”
Adeus, Giorgio. Sua ausência será sentida como se fosse parte do tecido do tempo.
Redação






