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Fiscalização e responsabilidade devem acompanhar os investimentos de R$ 67 bilhões da Vale em Minas Gerais

A atuação da Vale, que representa 3,5% do PIB estadual e emprega 63 mil pessoas, precisa estar à altura da responsabilidade que carrega.

A inauguração da mina Capanema, em Ouro Preto (MG), no dia 4 de setembro, marca uma nova etapa da atuação da Vale no Estado. Com presença do governador Romeu Zema e outras autoridades, a cerimônia celebrou o início de operações que integram um plano de investimentos de R$ 67 bilhões até 2030. No entanto, diante do histórico da mineração em Minas Gerais, é imprescindível que cada etapa desse processo seja acompanhada com rigor técnico, transparência e fiscalização contínua por parte dos órgãos competentes e da sociedade civil.

A operação da mina Capanema, que promete funcionar com umidade natural e sem geração de rejeitos, representa um avanço tecnológico. Mas nenhuma inovação pode ser considerada suficiente sem comprovação prática e auditoria independente. A promessa de eliminar barragens exige não apenas confiança, mas evidências concretas e monitoramento permanente. A adoção de caminhões autônomos e o reaproveitamento de minério de pilhas de estéril são iniciativas positivas, mas devem ser submetidas a avaliações constantes quanto à segurança, impacto ambiental e eficiência.

A reativação da unidade, após 22 anos de paralisação, envolveu R$ 5,2 bilhões em investimentos e mobilizou milhares de trabalhadores. É fundamental que esse movimento econômico venha acompanhado de responsabilidade social e ambiental. A Vale precisa garantir que os 800 empregados da operação estejam protegidos por protocolos de segurança robustos e que as comunidades vizinhas sejam ouvidas e respeitadas.

O plano de reduzir o uso de barragens de 30% para 20% até 2030, embora relevante, ainda é tímido diante da urgência por soluções definitivas. A sociedade exige mais do que metas: exige prazos, transparência e responsabilização. A gestão das estruturas geotécnicas, incluindo as 13 remanescentes do Programa de Descaracterização, deve ser tratada como prioridade absoluta. Todas devem ser desativadas com máxima segurança e sob vigilância pública.

A mineração circular e o reaproveitamento de rejeitos são caminhos promissores, mas não podem servir como cortina de fumaça para práticas que ainda colocam vidas e ecossistemas em risco. A produção de areia sustentável e blocos para construção civil, embora louvável, deve ser acompanhada de estudos de impacto e controle rigoroso da destinação dos materiais.

Minas Gerais não pode mais aceitar promessas sem garantias. A atuação da Vale, que representa 3,5% do PIB estadual e emprega 63 mil pessoas, precisa estar à altura da responsabilidade que carrega. A proteção dos 73 mil hectares de áreas verdes é um passo importante, mas deve ser ampliada e fiscalizada com rigor, especialmente nas regiões onde há operações ativas.

A sociedade mineira exige que cada tonelada extraída venha acompanhada de respeito à vida, ao meio ambiente e à memória dos desastres que jamais devem se repetir. A nova fase da mineração em Minas Gerais só será legítima se for construída com responsabilidade, fiscalização severa e compromisso real com a segurança e a sustentabilidade.

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