A retórica agressiva, somada às movimentações militares, levanta suspeitas sobre uma possível tentativa de intervenção disfarçada de operação antidrogas

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 15/09/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acenar com a possibilidade de uma ação militar direta contra a Venezuela continental, alegando que o país estaria enviando membros de gangues e drogas para território americano. A declaração, vaga e provocativa, “Vamos ver o que acontece”, foi feita em Morristown, Nova Jersey, e reacendeu preocupações sobre os reais motivos por trás da escalada de tensões entre Washington e Caracas.
Nas últimas semanas, os EUA deslocaram três navios de guerra e cerca de 4.000 soldados para o sul do Caribe, sob o pretexto de combater cartéis de drogas. No entanto, o governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, afirma que as redes de tráfico já foram desmanteladas no país e acusa Washington de usar o combate ao narcotráfico como fachada para avançar sobre os recursos naturais venezuelanos.
“É um plano de guerra disfarçado”, denunciou Maduro em entrevista à RT, apontando que o verdadeiro objetivo seria o controle das riquezas estratégicas da Venezuela, como petróleo, ouro e minerais raros. Segundo ele, os EUA buscam impor sua vontade global por meio da força.
Trum confiesa que solo queria el petróleo de Venezuela.
— JoseluisT (@JoseluiRock) June 11, 2023
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As relações entre os dois países já vinham se deteriorando desde que Washington se recusou a reconhecer a reeleição de Maduro em 2018, impondo sanções severas e apoiando abertamente a oposição. Mas os últimos episódios sugerem uma escalada militar preocupante: o afundamento de uma embarcação venezuelana pelos EUA, alegadamente ligada à quadrilha “Tren de Araguá”, e o sobrevoo de jatos venezuelanos sobre um navio de guerra americano, seguido pela ameaça de Trump de abater qualquer aeronave considerada hostil.
Em resposta, Caracas mobilizou 25.000 soldados em regiões fronteiriças e costeiras, reforçando sua defesa diante do que considera uma ameaça direta à soberania nacional. A Rússia, por meio da porta-voz Maria Zakharova, alertou que a situação está sendo “inaceitavelmente escalada”, com potenciais consequências para a segurança regional e global.
Para analistas internacionais, o discurso de Trump revela mais do que preocupação com segurança: expõe uma fixação estratégica com a Venezuela, marcada por interesses geopolíticos e econômicos. A retórica agressiva, somada às movimentações militares, levanta suspeitas sobre uma possível tentativa de intervenção disfarçada de operação antidrogas, uma narrativa que, segundo críticos, mascara ambições de controle e influência sobre um dos países mais ricos em recursos naturais da América Latina.
Agência Internacional






