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Exaustos pela guerra: Hamas e EUA ensaiam acordo de última chance com possível entrega de refens

O grupo palestino também expressou a sua disponibilidade para entregar a governação de Gaza a “tecnocratas” palestinianos independentes.

Diante de meses de conflito incessante e perdas humanas devastadoras, o grupo militante palestino Hamas anunciou estar disposto a libertar todos os reféns israelenses e iniciar negociações para definir os termos dessa transferência. Em um gesto que reflete o esgotamento das forças envolvidas, o grupo também reiterou sua disposição de entregar o controle de Gaza a uma entidade palestina independente.

Segundo comunicado divulgado na sexta-feira, o Hamas tomou essa decisão após uma análise exaustiva do plano de 20 pontos apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O plano propõe um cessar-fogo imediato, troca de reféns por prisioneiros, retirada gradual das forças israelenses e a criação de uma administração internacional de transição.

O Hamas formalizou sua aceitação da proposta de libertar todos os prisioneiros da ocupação, vivos ou mortos, conforme os termos do plano americano. “Estamos prontos para iniciar imediatamente negociações, por meio de mediadores, para discutir os detalhes”, afirmou o grupo, em tom que revela urgência e cansaço.

A organização também declarou estar preparada para transferir a governança de Gaza a um corpo palestino de tecnocratas independentes, respaldado por consenso nacional e apoio árabe e islâmico — uma tentativa de aliviar a pressão interna e externa que se intensificou nos últimos meses.

Embora não tenha se posicionado de forma explícita sobre pontos mais sensíveis do plano, como o desarmamento total, o Hamas indicou que tais questões devem ser debatidas dentro de uma estrutura palestina inclusiva. A declaração sugere uma tentativa de manter alguma margem de manobra diante das exigências externas.

O anúncio veio na esteira de mais um ultimato de Trump, que exigiu a aceitação do plano até domingo às 18h (horário de Washington), sob ameaça de uma ofensiva final. “Se este acordo de ÚLTIMA CHANCE não for alcançado, um INFERNO como nunca visto antes se instalará contra o Hamas”, escreveu o presidente em sua rede social, num tom que reflete a escalada da tensão e a exaustão diplomática.

Mousa Abu Marzook, alto dirigente do Hamas, reconheceu à Al Jazeera que a entrega de todos os reféns em 72 horas seria “teórica e irrealista”, destacando que a prioridade é “parar a guerra e os massacres”. Sobre o desarmamento, afirmou que as armas seriam entregues apenas a um futuro Estado palestino soberano.

As negociações estão previstas para começar em 5 de outubro, no Egito, mas o prazo para a libertação dos reféns pode ser estendido, dada a complexidade e o desgaste logístico e humano no terreno.

Desde o ataque surpresa de 7 de outubro de 2023, que deixou mais de 1.200 mortos em Israel, o Hamas fez cerca de 250 reféns. Estima-se que cerca de 50 ainda estejam sob custódia, metade deles possivelmente vivos.

Enquanto isso, a campanha militar israelense em Gaza já causou destruição em larga escala e deslocamento massivo da população. Segundo autoridades locais, mais de 68.000 palestinos foram mortos, números que evidenciam o custo humano de um conflito que parece ter exaurido todas as partes envolvidas.

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