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Amores Voláteis – Por Lin Quintino

Porque hoje o amor não é vivido, é consumido, e, claro, com a mesma pressa com que a gente descarta a embalagem de delivery.

Amores Voláteis

Lin Quintino

Hoje em dia, amar é quase como assinar um plano de internet: você nunca sabe quando vai cair, mas sabe que uma hora vai. O romantismo foi trocado por emojis, e a intensidade virou status temporário. O amor contemporâneo não é líquido, como dizia Bauman. É gasoso: evapora antes mesmo de a gente perceber que começou.

As pessoas já não perguntam “quer namorar comigo?”, perguntam “tá livre sábado?”. Compromisso virou uma palavra vintage, dessas que a gente encontra em sebos junto com cartas amareladas e discos de vinil.

O drama de outrora, cartas rasgadas, serenatas desafinadas, choro na janela, foi substituído por uma arma muito mais letal: o botão “bloquear”. É o fim imediato, sem despedida, sem direito a argumento. Você some do mapa digital do outro como se nunca tivesse existido. Mais rápido que perder um seguidor.

E a ironia maior: mesmo sabendo que tudo acaba no primeiro sinal de tédio, seguimos caçando corações como se fossem figurinhas raras. Match aqui, match ali, mas ninguém coleciona, só troca. Porque hoje o amor não é vivido, é consumido, e, claro, com a mesma pressa com que a gente descarta a embalagem de delivery.

Talvez, no futuro, o romantismo seja lembrado como uma espécie em extinção. Uma relíquia, tipo telefone com fio. Até lá, vamos vivendo de amores voláteis, porque duradouros, convenhamos, não cabem na memória do celular.

Lin Quintino

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