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Ecos de Caminhos – Por Paulo Siuves

É assim que mensuro a vida: não com relógio, mas com lembranças.

Ecos de Caminhos

Por Paulo Siuves


Há dias em que sinto a vida como um corredor silencioso. Um corredor cheio
de portas. Portas abertas, portas fechadas. Passo por elas e nem sempre lembro o que
havia atrás. Mas sei que cada uma deixou algo: um cheiro, um resíduo de histórias, um
pouco de mim e muito do outro.
Caminhei ontem por ruas que conheço desde sempre. E percebi que tudo
mudou. E, ao mesmo tempo, nada mudou. As árvores estão mais altas, os bancos
estão gastos. E eu também estou diferente. Diferente sem saber exatamente quando
deixei de ser o mesmo. Mudamos devagar. Imperceptivelmente. Só percebemos
olhando de longe… ou olhando para os outros.
Pessoas entram na nossa vida como portas que se abrem. Algumas passam
rápido. Mal percebemos. Outras ficam. Deixam marcas. Constroem corredores inteiros
dentro de nós. E há aquelas que batem à porta e nunca entram. Ainda assim, deixam
lembrança persistente, como cheiro de chuva ou aroma de café na cozinha.
Nunca fui bom com números. Nunca. Não sei calcular os dias, os minutos, os
segundos que vivi. Mas sei sentir o peso deles. Sei perceber a densidade de um
encontro, a leveza de uma tarde risonha, a força silenciosa de um abraço que não se
esquece. É assim que mensuro a vida: não com relógio, mas com lembranças. Com
ecos.
E me pergunto — e pergunto a você, leitor:
Que histórias estamos construindo?
Que corredores estamos abrindo?
Que portas estamos deixando trancadas, mesmo sabendo que algum dia alguém as
encontrará e se surpreenderá com o que guardamos?
Aprendi que a vida é feita desses instantes invisíveis. Pequenos atos de
atenção. Palavras que não dizemos. Risos que soltamos sem pensar. É nesses detalhes
que moram os ecos; ecos que carregamos, ecos que tocam os outros e nos
transformam sem aviso.
No fim, talvez o segredo seja apenas isso: caminhar com cuidado. Observar
quem está ao redor. Perceber as portas que se abriram e se fecharam. E agradecer
silenciosamente por cada corredor que cruzamos, por cada eco que permanece
reverberando pela eternidade.
A vida é feita de corredores. De portas. De ecos. E, se prestarmos atenção, se
pararmos para sentir, veremos que cada instante vale mais do que qualquer cálculo
mirabolante.

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