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POLÍCIA FEDERAL TRANSFERE INFLUENCIADOR “BUZEIRA” PARA PRESÍDIO APÓS OPERAÇÃO CONTRA LAVAGEM BILIONÁRIA

Investigação “Narco Bet” desvendou esquema que usava apostas online para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas; bloqueios judiciais superam R$ 630 milhões.

SÃO PAULO – O influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como “Buzeira”, foi transferido pela Polícia Federal (PF) para o Centro de Detenção Provisória IV, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. A mudança de custódia é mais um capítulo da Operação Narco Bet, deflagrada em 14 de outubro, que investiga uma complexa organização criminosa especializada em lavagem de capitais oriundos do tráfico internacional de entorpecentes.

A operação, que cumpriu 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em quatro estados, expôs um sofisticado mecanismo de ocultação de recursos. De acordo com as investigações, o grupo utilizava uma rede de empresas de fachada, holdings familiares e “laranjas” para injetar na economia nacional mais de R$ 630 milhões, valor alvo de bloqueios judiciais.

O Esquema e as Connexões Internacionais

Os agentes federais rastrearam as movimentações financeiras suspeitas por meio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A quadrilha operava por meio de plataformas de apostas eletrônicas e criptomoedas para “esquentar” o dinheiro do tráfico. A operação foi conduzida em cooperação com a Polícia Criminal Federal da Alemanha (Bundeskriminalamt), indicando o alcance transnacional do esquema, que é um desdobramento da “Operação Narco Vela”, focada em rotas marítimas de drogas entre a América do Sul e a Europa.

A Prisão do Influenciador e o Achado Bilionário

Buzeira, que possui um exército de mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, foi surpreendido pelos agentes em sua mansão em Igaratá (SP). Durante as buscas, a PF apreendeu um patrimônio que choca pela magnitude:

  • Arsenal Ilegais: Espingarda calibre 12, pistolas, revólver e um rifle, todos sem a devida autorização para porte ou posse. A PF apura se Buzeira, que era CAC (Caçador, Atirador e Colecionador), violou as regras de seu certificado.
  • Fortuna em Pedras Preciosas: A apreensão mais valiosa foi a de duas esmeraldas brutas, com certificado avaliado em US$ 323 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão). As pedras foram enviadas para perícia para verificar sua autenticidade, já que investigadores desconfiam do documento.
  • Frota de Luxo: Carros avaliados em até R$ 4 milhões e uma coleção com mais de 30 motocicletas.
  • Equipamentos: Celulares, computadores e outros itens eletrônicos foram recolhidos para exame pericial.

O Operador Financeiro e a Rota do Dinheiro

Na mesma operação, foi preso o contador Rodrigo Morgado, identificado como o operador financeiro do esquema. Ele permanece no Centro de Detenção Provisória de São Vicente. Investigações apontam que Morgado era o responsável pelas transferências milionárias para contas ligadas a Buzeira. Parte desses valores teria sido usada para aquisição de imóveis de alto padrão e custeio de um estilo de vida luxuoso.

O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso e estuda denunciar os envolvidos por associação criminosa e lavagem de dinheiro.

A Defesa e os Próximos Passos

A defesa de Bruno “Buzeira” já protocolou um pedido de habeas corpus junto à Justiça Federal. Os advogados argumentam que não há provas concretas de que o influenciador tinha conhecimento sobre a origem ilícita dos recursos, afirmando que todas as movimentações foram declaradas e baseadas em contratos de serviços públicos.

Enquanto isso, a análise dos celulares apreendidos com Rodrigo Morgado revela trocas de mensagens detalhadas com outros alvos da operação. Em paralelo, o Ministério Público de São Paulo prepara uma denúncia separada contra Buzeira por suposta promoção de rifas irregulares e exploração de jogos de azar.

A Polícia Federal segue com as investigações para rastrear os fluxos remanescentes do esquema, que, segundo estimativas das autoridades, movimentou bilhões de reais nos últimos anos, usando o mundo das apostas como fachada para o crime organizado.

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