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Operação Copia e Cola: PF afasta prefeito de Sorocaba e desvenda esquema milionário na saúde

Em segunda fase da investigação, a Polícia Federal cumpre mandados, decreta prisões e bloqueia R$ 6,5 milhões em bens; prefeito Rodrigo Manga nega e fala em ‘perseguição política’, enquanto a PF detalha um suposto modus operandi de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

SOROCABA/BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira a segunda etapa da Operação Copia e Cola, escalando a investigação sobre um suposto esquema de desvios de recursos públicos na área da saúde de Sorocaba e culminando no afastamento por 180 dias do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). A decisão judicial, que atendeu a um pedido da PF, determina o afastamento imediato do cargo e expõe as entranhas de uma investigação que aponta para fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos que totalizam R$ 123 milhões.

O vice-prefeito, Fernando Neto (PSD), assumiu interinamente o Executivo municipal. A operação, autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), cumpriu sete mandados de busca e apreensão e decretou duas prisões preventivas, incluindo a de Marco Silva Mott, empresário apontado pelas investigações como “lobista” e “operador financeiro” do esquema e considerado pessoa de extrema confiança do prefeito.

O Modus Operandi: Contratos “Copia e Cola” e Desvios Sistêmicos

De acordo com documentos da PF aos quais este veículo teve acesso, o núcleo do esquema investigado reside em contratos emergenciais e termos de convênio firmados pela prefeitura com uma organização social para a gestão de unidades de saúde. A investigação, iniciada em abril com a primeira fase da operação, identificou um padrão de irregularidades: a clonagem de propostas e documentos em processos licitatórios, o que garantia a vitória da organização escolhida – daí o nome “Copia e Cola”.

A análise dos milhares de documentos apreendidos na fase inicial revelou que a organização social teria recebido, somente durante a gestão Manga, valores que superam a marca de R$ 123 milhões. A PF sustenta que parte desses recursos era desviada por meio de notas fiscais frias e serviços superfaturados ou nunca executados, sendo posteriormente lavada por meio da aquisição de bens de luxo.

As Consequências: Prisões, Bens Bloqueados e uma Rede que se Alastra

Além do afastamento do prefeito, a Justiça determinou uma série de medidas cautelares para “preservar a investigação”. Os investigados estão proibidos de se comunicarem e tiveram suas funções públicas suspensas. O sequestro de bens no valor de R$ 6,5 milhões inclui veículos de luxo (como um Porsche e uma BMW), quantias em dinheiro e armas, itens que, segundo a PF, seriam frutos diretos do esquema.

As buscas foram realizadas na prefeitura, na residência de Rodrigo Manga e em endereços ligados aos demais investigados, incluindo a casa da primeira-dama, que também é alvo de investigações sob a suspeita de envolvimento no esquema. A PF busca evidências concretas dos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato (desvio de salário de funcionário público) e lavagem de capitais.

As Reações: Negação e Estratégia de Defesa

Em Brasília, onde se encontrava em agenda política, Rodrigo Manga gravou um vídeo publicado em suas redes sociais para informar sobre o afastamento. Conhecido por usar o marketing digital – é formado na área e ficou popular com vídeos sobre sua gestão –, Manga negou veementemente qualquer irregularidade e insinuou que a operação é movida por motivações políticas. “Estou sendo perseguido. Vamos provar nossa inocência”, afirmou.

Já a defesa do empresário Marco Silva Mott emitiu uma nota classificando a prisão preventiva de seu cliente como “prematura e baseada em meras conjecturas”, prometendo apresentar recursos para reverter a decisão e esclarecer os fatos perante a Justiça.

Operação Copia e Cola evidencia a penetração de esquemas de corrupção em administrações municipais e a sofisticação de métodos para burlar a licitação. Enquanto o prefeito afastado prepara seu contra-ataque jurídico, a PF segue costurando os fios de uma teia que, garantem os investigadores, é muito maior e mais complexa do que os R$ 123 milhões em contratos já identificados. Novos desdobramentos são considerados inevitáveis.

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