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A Hipocrisia da Sociedade – Por Lin Quintino

As máscaras são de virtude: “sou consciente”, “sou justo”, “sou do bem”. Mas, nos bastidores, o ego ri, satisfeito, impune, alimentado pelo aplauso alheio.

A Hipocrisia da Sociedade

Lin Quintino

Vivemos na era da opinião instantânea. Todo mundo tem algo a dizer sobre tudo e, curiosamente, quase nada a viver sobre o que diz.

Nas redes, a empatia é medida por curtidas; na vida real, por indiferença. É bonito postar sobre solidariedade, desde que não exija tempo, esforço ou contato humano. Ajudar o próximo, sim, contanto que o próximo esteja a pelo menos um clique de distância.

As pessoas defendem causas com a mesma leveza com que trocam de filtro no Instagram. Hoje é sobre o meio ambiente; amanhã, sobre amor-próprio; depois, sobre o silêncio digital, que, ironicamente, anunciam com um textão. A coerência virou artigo de luxo.

A sociedade moderna criou um teatro onde todos atuam. As máscaras são de virtude: “sou consciente”, “sou justo”, “sou do bem”. Mas, nos bastidores, o ego ri, satisfeito, impune, alimentado pelo aplauso alheio.

É curioso: exigimos do outro o que não praticamos. Condenamos o erro alheio com a mesma intensidade com que escondemos o nosso. Pregamos liberdade, mas cancelamos quem pensa diferente. Falamos de amor, mas o reduzimos a um emoji apressado.

E, no fim do dia, essa hipocrisia coletiva é o espelho que evitamos encarar. Preferimos a tela, que devolve o reflexo filtrado, idealizado, falsamente humano.

Talvez o maior ato de coragem hoje seja ser sincero. Não com o mundo, mas consigo mesmo. Porque, entre tantas verdades de fachada, a honestidade se tornou o último gesto de rebeldia.

Lin Quintino – Mineira de Bom Despacho, escritora, poeta, professora e psicóloga. Academia das quais faz parte: Academia Mineira de Belas Artes – AMBA / ANLPPB- cadeira 99, / ALPAS 21, sócia fundadora, cadeira 16; / ALTO; / ALMAS; / ARTPOP; / Academia de Letras Y Artes Valparaíso (chile); / Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires; / ACML, cadeira 61 Membro da OPB e da Associação Poemas à Flor da Pele. Autora dos livros de poemas Entrepalavras e A Cor da Minha Escrita. Comendas: destaque literário da ALPAS-21, / Ubiratan Castro em 2015 pela ABRASA / Certificado pela ALAF de Destaque Literário em 2014 7 Troféu destaque Mulheres Notáveis – Cecília Meireles- Itabira/MG, 2014 Participou de várias coletâneas e antologias nacionais e internacionais.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Clarín Brasil – JCB News, sendo elas de inteira responsabilidade e posicionamento dos autores.

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