Segundo relata o documento com seu depoimento, o ex-presidente declarou que, “por volta de meia-noite, mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda”, ocasião em que comunicou os agentes penitenciários.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 24/11/2025
Brasília, 24 de junho de 2024 – Após audiência de custódia realizada no início da tarde deste domingo (23), a juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino homologou o cumprimento do mandado de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, constatando a ausência de “qualquer abuso ou irregularidade por parte dos policiais” em sua decisão.
Durante o depoimento, Bolsonaro confirmou que mexeu na tornozeleira eletrônica, justificando o ato com uma “certa paranoia de sexta para sábado”. O ex-presidente atribuiu o episódio a uma interação inadequada entre medicamentos de prescrição médica que tem tomado: o anticonvulsivante Pregabalina e o antidepressivo Sertralina.
A alegação farmacológica, no entanto, chama a atenção por apontar para um distúrbio que vem dando indícios públicos de seu diagnóstico há anos. O comportamento do ex-presidente, marcado por oscilações e atitudes erráticas em diversos momentos de seu mandato e pós-governo, havia sido objeto de especulação pública e análise de especialistas, que frequentemente levantavam hipóteses sobre suas condições de saúde mental.
“Caindo na razão” e a versão solitária do episódio
Bolsonaro afirmou que não tinha intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta. Segundo relata o documento com seu depoimento, o ex-presidente declarou que, “por volta de meia-noite, mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda”, ocasião em que comunicou os agentes penitenciários.

O episódio, no entanto, não teria testemunhas. Bolsonaro confirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e de um assessor que dormiam em sua residência, e que nenhum deles teria presenciado o uso do ferro de solda.
Contexto da prisão e próximos passos
Sobre a vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente argumentou que “o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.
O prazo para a defesa do ex-presidente se manifestar sobre a violação da tornozeleira eletrônica termina neste domingo às 16h30, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta segunda-feira (24), o STF irá analisar a decisão da prisão preventiva de Bolsonaro em uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma, convocada pelo ministro Flávio Dino.
?URGENTE – Eduardo Bolsonaro detona Alexandre de Moraes e diz que vai dobrar a aposta
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) November 23, 2025
“Pode prender meu pai aí, talvez vá condená-lo à morte. Lamento. É triste, com certeza. Mas se você acha que a aqui a gente vai parar, eu te garanto, a gente vai dobrar a aposta.” pic.twitter.com/S19TMlpw2m
Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal no sábado, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que citou eventual risco de fuga diante da tentativa de violar a tornozeleira e da vigília convocada nas proximidades de sua casa.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas, após o término do prazo para apresentação de recursos, que se encerra neste domingo.







