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Em audiência, Bolsonaro atribui tentativa de violar tornozeleira a “paranoia” por interação de medicamentos

Segundo relata o documento com seu depoimento, o ex-presidente declarou que, “por volta de meia-noite, mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda”, ocasião em que comunicou os agentes penitenciários.

Brasília, 24 de junho de 2024 – Após audiência de custódia realizada no início da tarde deste domingo (23), a juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino homologou o cumprimento do mandado de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, constatando a ausência de “qualquer abuso ou irregularidade por parte dos policiais” em sua decisão.

Durante o depoimento, Bolsonaro confirmou que mexeu na tornozeleira eletrônica, justificando o ato com uma “certa paranoia de sexta para sábado”. O ex-presidente atribuiu o episódio a uma interação inadequada entre medicamentos de prescrição médica que tem tomado: o anticonvulsivante Pregabalina e o antidepressivo Sertralina.

A alegação farmacológica, no entanto, chama a atenção por apontar para um distúrbio que vem dando indícios públicos de seu diagnóstico há anos. O comportamento do ex-presidente, marcado por oscilações e atitudes erráticas em diversos momentos de seu mandato e pós-governo, havia sido objeto de especulação pública e análise de especialistas, que frequentemente levantavam hipóteses sobre suas condições de saúde mental.

“Caindo na razão” e a versão solitária do episódio

Bolsonaro afirmou que não tinha intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta. Segundo relata o documento com seu depoimento, o ex-presidente declarou que, “por volta de meia-noite, mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda”, ocasião em que comunicou os agentes penitenciários.

O episódio, no entanto, não teria testemunhas. Bolsonaro confirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e de um assessor que dormiam em sua residência, e que nenhum deles teria presenciado o uso do ferro de solda.

Contexto da prisão e próximos passos

Sobre a vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente argumentou que “o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.

O prazo para a defesa do ex-presidente se manifestar sobre a violação da tornozeleira eletrônica termina neste domingo às 16h30, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta segunda-feira (24), o STF irá analisar a decisão da prisão preventiva de Bolsonaro em uma sessão virtual extraordinária da Primeira Turma, convocada pelo ministro Flávio Dino.

Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal no sábado, após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que citou eventual risco de fuga diante da tentativa de violar a tornozeleira e da vigília convocada nas proximidades de sua casa.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas, após o término do prazo para apresentação de recursos, que se encerra neste domingo.

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