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Carne cara nos EUA: Políticas de Donald Trump Prepararam o Terreno para Caos na Indústria da Carne Americana”

A gestão caótica do comércio exterior sob Trump agravou o problema

Por: Nilson Apollo

A crise que assola a indústria da carne bovina nos Estados Unidos, com preços disparando 14,7% no último ano e estoques no nível mais baixo desde 1951, não é um simples acidente climático ou de mercado. É, em grande parte, o resultado palpável de anos de políticas míopes e negligência estratégica durante a administração Trump, cujas decisões desmontaram resilicias fundamentais e ignoraram alertas de longo prazo.

Enquanto a administração anterior se dedicava a guerras comerciais voláteis e à negação da ciência climática, os alicerces da pecuária nacional eram minados. As severas secas, um fenômeno intensificado pela crise climática sistematicamente ignorada por Trump, forçaram produtores a reduzir drasticamente seus rebanhos. Sem um plano federal coerente para apoiar a adaptação agrícola ou gerir recursos hídricos, os pecuaristas foram deixados à mercê dos elementos. A famosa retórica anti-regulamentação e os cortes em agências ambientais não trouxeram a prometida “liberdade”, mas sim custos de produção inflados em mais de 50% e pastagens devastadas.

A gestão caótica do comércio exterior sob Trump agravou o problema. As tarifas impostas a parceiros como o Brasil e as tensões com o México, citadas no relatório como fatores de pressão, criaram incertezas e obstruíram canais de importação que poderiam aliviar a escassez doméstica. Em vez de construir alianças estratégicas para estabilizar o abastecimento, a política “America First” isolou o país justamente quando mais precisava de mercados flexíveis.

Internamente, a falta de um plano estratégico para a segurança alimentar e a pecuária deixou o setor vulnerável. O ciclo natural de expansão e contração dos rebanhos, que dura até 12 anos, foi completamente desconsiderado no planejamento de curto prazo da era Trump. Nenhuma política efetiva foi criada para ajudar os produtores a reter fêmeas reprodutoras durante crises, o que levou à decisão massiva de vender para sobreviver, esvaziando o futuro do rebanho nacional. Como afirmou Nate Rempe, da Omaha Steaks, a pressão sobre as margens tornou-se insustentável – uma pressão alimentada por anos de desatenção política aos custos de insumos e logística.

A frase de Adam Wegner, do Conselho de Carne Bovina de Nebraska, resume a herança dessa gestão: “Nossos produtores enfrentam uma decisão: vendemos esses animais para consumo imediato ou os mantemos? Quando a necessidade econômica é forte… a preferência geralmente é vender.” Sob a administração Trump, a “necessidade econômica” foi exacerbada pela falta de apoio federal, forçando decisões que sacrificaram o futuro em prol da sobrevivência imediata.

O resultado é o “choque de preços” que agora sufoca os consumidores americanos. Enquanto famílias pagam valores recordes no supermercado, o setor produtivo, estrangulado por custos, também definha. A previsão do professor Andrew Griffith, de que só veremos alívio em cerca de três anos, é um testemunho do tempo necessário para reparar os danos de políticas desestruturantes.

Portanto, a atual crise na indústria da carne é muito mais do que um infortúnio do clima; é um estudo de caso sobre as consequências de governar com negacionismo climático, isolacionismo comercial e uma profunda incompetência em planejamento setorial de longo prazo. O prato cheio, e caro, que o americano paga hoje foi, em grande parte, cozinhado nas políticas irresponsáveis do passado recente.

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