Em lágrimas diante da imprensa, a jovem pediu que um juiz “reavaliasse” a situação, baseando seu pleito no “sofrimento da família”

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 08/12/2025
Uma cena que encapsula com perfeição a falta de objetividade e a boçalidade que frequentemente dominam o cenário cultural brasileiro se desenrolou na tarde deste sábado (6). Diante do Presídio do Roger, em João Pessoa, dezenas de pessoas se aglomeraram, não para protestar por direitos básicos, educação ou saúde, mas para realizar um ato circense em defesa de um criminoso, convocado por uma adolescente através de redes sociais.
A motivação? A jovem Kamylinha, que se intitula ‘filha’ de Hytalo Santos – um indivíduo encarcerado –, usou sua influência digital para mobilizar seguidores em um apelo emocional e completamente destituído de racionalidade jurídica ou social. A resposta foi a previsível exibição de uma massa acrítica: compareceram ao local com cartazes, faixas e, emblematicamente, caixas de som. A solenidade do momento, supostamente sério, foi substituída pelo ritmo de “músicas associadas a Hytalo”, transformando um apelo legal em um background musical para um encontro de fãs.
? @STJnoticias mantém a prisão do influenciador Hytalo Santos, acusado de exploração de menores.
— Rádio e TV Justiça (@RadioeTVJustica) August 20, 2025
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A plateia era composta por uma mistura de amigos, apoiadores e, principalmente, curiosos. Este último grupo é sintomático: não movidos por convicção ou conhecimento de causa, mas pela sede de um entretenimento mórbido, de participar ao vivo de mais um capítulo da novela policial que consome como passatempo. A emoção, fabricada para as câmeras, substituiu qualquer argumento. Em lágrimas diante da imprensa, a jovem pediu que um juiz “reavaliasse” a situação, baseando seu pleito no “sofrimento da família” e no “apoio popular”, dois elementos completamente irrelevantes perante a lei e a gravidade de atos criminais.
A Polícia Militar, custeada pelo contribuinte, foi obrigada a fazer a segurança do espetáculo, organizando o fluxo de pessoas que preferiram dedicar seu tempo livre a essa pantomima, em vez de qualquer atividade produtiva ou civicamente relevante. A manifestação, dita “pacífica”, foi na verdade a celebração pacífica da irrelevância, do culto à personalidade do marginal e da histeria coletiva como substituta do pensamento.
O episódio é um retrato cru de uma cultura que privilegia o sentimento sobre a razão, o espetáculo sobre a substância, e a identificação afetiva com figuras controversas sobre o respeito às instituições e ao bem comum. Enquanto problemas estruturais graves são ignorados, a energia social se esgota em mobilizações boçais como esta, onde a falta de objetividade não é um defeito, mas o próprio combustível do evento. É a boçalidade elevada à forma de protesto: barulhenta, cheia de emoção, completamente vazia de sentido






