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A verdadeira terra do pequí é Minas Gerais !! – Números oficiais comprovam!

Coroação no Cerrado: Minas supera Goiás, Mato-Grosso, Bahia, Ceará e Tocantins juntos na produção do pequí, mas disputa pela ‘paternidade’ do fruto esquenta a mesa brasileira

MONTES CLAROS, MG – Os números, frios e oficiais, parecem ter posto um ponto final em uma das disputas gastronômicas mais acaloradas do Centro-Oeste e do Norte de Minas. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, divulgado esta semana, Minas Gerais é, de longe, a maior produtora de pequi do Brasil. O estado extraiu 39.630 toneladas do fruto em 2023, um volume que não apenas lidera, mas esmagadora, o ranking nacional.

Pequizeiro comum – Foto: JUNQUEIRA, Nilton Tadeu Vilela

O vice-campeão, Goiás, registrou apontando tão somente 3,7 mil toneladas, ainda assim um crescimento expressivo de 21,8% em relação a 2022, mas que representa menos de 10% da produção mineira. Atrás, aparecem Ceará (3.073 t) e Tocantins (3.002 t), completando o mapa do “ouro do Cerrado”, fruto típico e patrimônio cultural imaterial do Brasil.

A despeito da soberania numérica mineira, a batalha simbólica pela paternidade do pequi está longe de acabar. Em Goiânia, a notícia foi recebida com uma mistura de perplexidade e reforço retórico. No Mercado da Dona Augusta, a comerciante Maria de Lourdes, 58, ajustou os potes de polpa e disparou: “Quantidade é uma coisa, alma é outra. Aqui o pequi é identidade. É no arroz, no frango, na pinga, no empadão goiano. Mineiro até colhe mais, mas foi Goiás que levou o pequi pro mundo como símbolo”. Ela se refere ao forte apelo cultural e turístico, como o famoso Festival do Pequi de Pirenópolis, que atrai milhares.

Do outro lado da fronteira, no Norte de Minas, a resposta é dada no campo e no prato. Nas cercanias de Montes Claros, Janaúba e Januária, a colheita é parte da paisagem e da economia local. No restaurante “Dona Izabel”, a cozinheira Izabel Ferreira, 67, serve o frango ao molho de pequi para uma clientela fiel. “Aqui o pequi nasce no quintal. O nosso é mais gorduroso, mais amarelo. Goiás fala em festival, a gente fala em tonelada colhida e panela cheia”, diz, enquanto peneira a polpa.

Comparação das Regiões Produtoras

Estado/RegiãoProduçãoUso principalDestaque cultural
Norte de Minas GeraisMaior do BrasilCulinária e óleoArroz com pequi, frango com pequi
GoiásAltaCulináriaIdentidade goiana
Mato GrossoMédiaConsumo localPresença no Cerrado
TocantinsMédiaConsumo localExtrativismo comunitário
Bahia (norte/oeste)MenorCulinária e óleoPratos típicos regionais

A divergência vai além da produção. Enquanto o valor de produção em Goiás foi de R$ 5,6 milhões em 2023, em Minas, dada a escala, ele é multiplicado, sustentando milhares de famílias no extrativismo sustentável. O antropólogo Carlos Eduardo Ribeiro analisa: “Minas Gerais é o celeiro agrícola do pequi. Goiás pode ate ser, com a permissão de Minas Gerais, sua capital afetiva e midiática, já que os mineiros dispõem de uma infinidade de outros pratos e iguarias, e não se ofende com uso do marketing do pequi pelos primos do oeste. Um detém a quantidade, o outro construiu uma narrativa de identidade tão forte que, para muitos brasileiros, ‘pequi’ e ‘Goiás’ são sinônimos”.

A disputa já chegou ao Congresso Nacional, onde projetos tentaram, sem sucesso, oficializar a origem do fruto. O consenso que se impõe, tanto nos dados quanto na sabedoria popular, é que o pequi é um patrimônio do Cerrado brasileiro, um símbolo de resistência do bioma e de sua rica cultura alimentar.

A embrapa já desenvolve o pequi sem espinhos – Imagem: Divulgação Embrapa

Saúde e tradição nas mesas
Rico em carotenoides, vitamina A e ácidos graxos antioxidantes (presentes na amêndoa), o pequi une nutrição e sabor. É a base de pratos icônicos: o arroz com pequi e o frango com pequi são muito consumidos entre os mineiros, assim quanto pelos goianos, uma fronteira gastronômica onde as bandeiras estaduais, até mesmo pela semelhança entre ambos se consomem se confundem.

Comparativo das principais regiões produtoras

Estado/RegiãoProdução (2023)Valor econômicoDestaque cultural
Minas Gerais39.630 tMaior do paísArroz com pequi, frango com pequi
Goiás3.700 tR$ 5,6 milhõesIdentidade goiana, “ouro do Cerrado”
Ceará3.073 tMédioConsumo regional
Tocantins3.002 tMédioExtrativismo comunitário
Dados do IBGE de 2023 consagram Minas Gerais como o maior produtor nacional, com mais de 39 toneladas; Goiás, em segundo, vê crescimento e reforça seu título afetivo de “terra do pequi”.

Nome científico: Caryocar brasiliense Camb.

Nome popular: piqui ou pequi

Família botânica: Caryocaraceae

Características gerais do pequi

Árvore que atinge 10 m de altura, o piquizeiro ou pequizeiro é uma das mais importantes plantas para a alimentação do homem do campo e que cada vez mais conquista destaque nos cardápios dos restaurantes de comidas típicas da região do cerrado brasileiro. Ocorrendo em campo, cerrado, cerradão e em “murunduns” da Bahia, do Distrito Federal e de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo, é considerada também árvore ornamental, pelo formato da copa e pelo arranjo externo das suas flores alvas.

Floresce de junho a outubro e frutifica de agosto a janeiro.

Suas folhas, ricas em tanino, fornecem substância tintorial, usada pelas tecelãs (Barradas, 1971). O caule, com madeira bastante resistente, é usado como fonte de carvão siderúrgico.

As raízes prestam-se para a preparação de cavernames de pequenas embarcações.

Piqui ou pequi é palavra que se origina do tupi pyqui, onde py = casca e qui = espinho (segundo Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais, 1983), referindo-se aos espinhos do endocarpo (parte dura do caroço) do fruto .

Usos do pequi

A polpa dos frutos cozidos, usada na alimentação humana, tem grande aceitação com farinha, arroz, feijão e galinha. Tanto pode ser usada na fabricação de licores ou sabões caseiros como na alimentação de animais domésticos, ovinos e suínos. Serve também de alimento aos animais silvestres, como arara, cutia, tatu-peba e veados. Era comum a “espera” (caça) dos veados na época de floração do pequi. O gado também se alimenta desses frutos, porém torna-se problemática a ação mecânica, devido aos espinhos, não só no processo de deglutição como no de ruminação (HOEMO, 1939).

Propriedades medicinais do pequi

É bastante disseminada na medicina popular regional a utilização do óleo do pequi adicionado ao mel de abelha contra gripes e bronquites. Na década de 1940, o óleo do fruto era usado no preparo da “emulsão de piqui”e o “piquióleo”, para tratamento das doenças do aparelho respiratório. Além do aspecto medicinal, esse óleo é usado na alimentação e na indústria de cosméticos para fabricação de cremes e sabonetes.

RECEITA DE GALINHADA COM PEQUÍ DE MINAS GERAIS

Tá na hora de uma galinhada com pequi que nem minha vó fazia!

Se tem uma coisa que aquece o coração e enche a barriga nesse friozinho do Cerrado, é um panelão bem feito de galinhada com pequi. Aqui em Minas a gente briga até com goiano pra ver de quem é a receita mais gostosa, mas no final, o que importa é o sabor que fica na memória e no prato!

Vou te contar um segredinho: o pequi é mesmo o “ouro do Cerrado”, dá um gosto que nem se compara! Mas cuidado com os espinho do caroço, hein? Tem que comer com jeitinho, raspando só a polpa. Quem conhece, ama; quem não conhece, tá perdendo uma das maiores delícias que a nossa terra dá!

INGREDIENTE (pra 8 pessoa com fome de roça):

  • 1 kg de frango (coxa e sobrecoxa é melhor, fica mais suculento)
  • 2 dente de alho amassadinho
  • Sal e pimenta (até dizer chega)
  • Suco de 1 limão galego
  • 2 colher de sopa de banha de porco (óleo até serve, mas banha dá outro sabor!)
  • 1 cebola grande picada
  • 1 pimentão vermelho (se não tiver, vai o verde mesmo)
  • 1 tomate bem maduro
  • 3 xícara de arroz (aquele grão comprido, bão demais)
  • 8 pequi ou 1 vidro da conserva (se for fresco, lava bem!)
  • 5 xícara de caldo de frango (ou água com um tablete de caldo, resolve)
  • Pimenta-de-cheiro a gosto (pra dar uma ardida gostosa)
  • Cheiro-verde (salsa e cebolinha, quanto mais, melhor)

MODO DE FAZER (presta atenção que é facim, facim):

  1. Tempera o frango: Pega o frango, bota num tigelão com alho, sal, pimenta e suco de limão. Deixa descansando uns 15 minutinho que ele vai absorver bem o sabor.
  2. Cuidado com o pequi: Lava bem os pequis. Lembrete importante: NUNCA morde o caroço! É cheio de espantinho que prende no céu da boca. Só raspa a polpa com os dente, com jeitinho.
  3. Dourando o frango: Numa panela grande (daquelas que cabem a família toda), esquenta a banha. Bota o frango e deixa dourar bem de todos os lados. Isso faz o frango ficar mais saboroso!
  4. Refogado gostoso: Com o frango já douradinho, joga a cebola e o pimentão. Refoga até ficar molinho. Acrescenta o tomate e mexe até formar um molhinho.
  5. Hora do pequi: Agora sim! Coloca o pequi e mistura com todo aquele refogado. O aroma já começa a subir… que delícia!
  6. Arroz na mistura: Adiciona o arroz e mexe bem, pra ele pegar o sabor de todo o refogado.
  7. Cozinhando tudo junto: Coloca o caldo de frango até cobrir tudo. Abaixa o fogo, tampa a panela e deixa cozinhar até o arroz ficar no ponto e o caldo quase secar. Vai provando o sal, se precisar de mais, ajusta.
  8. Finalizando: Desliga o fogo, joga o cheiro-verde picadinho e a pimenta-de-cheiro. Tá prontinho!

DICA DE AVÓ (aquela que faz diferença):

  • Se quiser ficar mais leve, troca o arroz branco pelo integral. Fica bão também!
  • Que tal botar uma cenoura ou ervilha pra dar uma cor? Fica bonito e saboroso!
  • Pra dar um toque especial, finaliza com um fio de azeite de pequi. É gostoso demais da conta!

Essa galinhada é daquelas que reúne a família toda em volta da mesa. Serve quentinho, com um pequi inteiro em cada prato (e o aviso: “cuidado com os espinho, hein!”). Acompanha uma saladinha verde e uma cervejinha bem gelada. Ou um suco de maracujá, se preferir.

Uai, sô! Comida de Minas é assim: feita com ingrediente simples, mas cheia de amor e tradição. Bom apetite!

Conclusão: Uma coroa dividida?
A verdadeira terra do pequi, pelos números, é Minas Gerais. Pela força do símbolo cultural, Goiás ergue sua bandeira com orgulho. Ceará e Tocantins completam este mapa saboroso, mostrando que o fruto é, acima de tudo, um bem comum do Cerrado.

Em resumo: Minas detém a coroa da produção. Goiás, que recebe grandes quantidades vindas de Minas para abastecer seu mercado interno, reinvindica a identidade. E o Brasil ganha, em cada mesa, com esse fruto dourado que é cultura, economia e resistência de um bioma inteiro. A disputa pode seguir, mas, no fim, quem sempre leva a melhor é o paladar nacional.

Por Nilson Apollo Belmiro Santos, com colaboração de Maria do Rosário Andrade – Enviados especiais a Montes Claros (MG) e Goiânia (GO)

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