“Hoje nos despedimos da nossa amada Adriana Araújo‘

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 02/03/2026
A música brasileira amanheceu mais triste nesta segunda-feira (2). A cantora e sambista Adriana Araújo, uma das vozes mais queridas e representativas de Minas Gerais, morreu aos 49 anos em Belo Horizonte. A artista não resistiu às complicações de um aneurisma cerebral sofrido no último sábado (28).
A notícia foi confirmada por meio de uma emocionada publicação nas redes sociais oficiais da cantora, que rapidamente gerou uma comoção entre fãs, amigos e artistas. No comunicado, familiares e a equipe da artista prestaram uma homenagem que traduzia a essência de Adriana: mais do que seu talento, sua humanidade.
“Hoje nos despedimos da nossa amada Adriana Araújo. Adriana foi muito mais do que uma grande voz do samba. Foi abraço largo, sorriso fácil, coração generoso e uma alegria de viver que iluminava todos ao seu redor. O samba sentirá profundamente sua ausência, mas não apenas ele. Sentirão falta todos que um dia receberam seu carinho, sua escuta atenta e seu caloroso abraço”.
A internação e a causa da morte
Adriana Araújo passou mal em sua casa na noite de sábado (28), chegando a desmaiar. Ela foi socorrida e levada inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), sendo posteriormente transferida para o Hospital Metropolitano Odilon Behrens, na capital mineira.
Após a realização de exames detalhados, os médicos constataram um quadro gravíssimo: um aneurisma cerebral que provocou uma hemorragia de grande extensão. Desde então, Adriana permaneceu internada em coma, entubada e sob cuidados intensivos. No domingo (1º), a equipe médica já havia informado à família que o quadro era considerado irreversível, deixando todos em estado de alerta e comoção até o desfecho fatal na tarde de segunda-feira.
Trajetória: do berço do samba mineiro para os palcos
Nascida em 1976, Adriana Araújo tinha o samba em suas raízes. Ela cresceu na comunidade da Pedreira Prado Lopes (PPL), na Região Noroeste de Belo Horizonte, uma área historicamente reconhecida como um verdadeiro berço do samba na cidade e que abriga a primeira escola de samba da capital. Foi ali que seu talento começou a ser lapidado, participando de oficinas de dança afro e teatro oferecidas pela comunidade.
Antes de brilhar em carreira solo, Adriana fez história ao lado do marido, o sambista Evaldo Araújo, no grupo Simplicidade Samba. O conjunto era figura carimbada nas tradicionais rodas de samba do Bar do Cacá, no bairro São Paulo, conquistando um público fiel e projetando seu nome na cena cultural de BH.
Em 2020, Adriana deu um novo passo em sua trajetória e iniciou a carreira solo. No ano seguinte, em 2021, ela presenteou o público com seu primeiro álbum autoral, “Minha Verdade” , um trabalho que trazia composições próprias e falava sobre ancestralidade, amor, negritude e suas experiências de vida. Seu projeto mais recente foi o disco ao vivo “3 Jorges” , lançado em 2025, uma belíssima homenagem a três grandes ícones da música: Jorge Aragão, Seu Jorge e Jorge Ben Jor.
Ao longo de sua carreira, Adriana dividiu palco e trocou experiências com gigantes do gênero, como Leci Brandão, Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho, Fabiana Cozza e Arlindinho. Sua voz potente e sua presença de palco também marcaram presença em grandes eventos da cidade, como a Virada Cultural, o Carnaval de Rua e o réveillon da Praça da Liberdade.
Repercussão e legado
A morte precoce de Adriana Araújo deixou uma lacuna no samba mineiro e nacional. Artistas e fãs usaram as redes sociais para lamentar a perda. A sambista Fabiana Cozza, em um depoimento emocionado, lembrou da luta e da alegria da amiga: “como você lutou e vinha defendendo com galhardia, amor, simpatia e força o direito de sambar, o direito a amplificar e alegrar o mundo com a sua voz”.
Adriana Araújo deixa um legado de talento, resistência e amor à cultura. Mais do que uma grande artista, ela deixa a lembrança de uma mulher negra, mãe, compositora e guerreira que fez do samba sua vida e sua verdade. Ela deixa o marido e parceiro musical, Evaldo Araújo, e o filho adolescente, Daniel. Em seu comunicado de despedida, a família fez um pedido: “Neste momento de dor, pedimos orações e boas energias para seu filho Daniel e para seu marido Evaldo, para que encontrem força e amparo”. Seu corpo será velado em cerimônia reservada à família e amigos próximos.
Redação Jornal Clarín Brasil JCB – News





