“A intervenção americana e israelense contra o povo iraniano precisa ser situada no contexto da crise estrutural do sistema internacional e do colapso da ordem mundial compartilhada”, declarou Meloni

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 13/03/2026
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, até então vista como a principal aliada de Donald Trump na Europa, rompeu o silêncio e criticou duramente a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, classificando a ofensiva como parte de uma “tendência perigosa fora do direito internacional”. Em discurso no Senado italiano, Meloni também condenou o ataque a uma escola em Minab, que matou ao menos 170 pessoas, a maioria crianças, tragédia amplamente atribuída a um míssil americano.
“A intervenção americana e israelense contra o povo iraniano precisa ser situada no contexto da crise estrutural do sistema internacional e do colapso da ordem mundial compartilhada”, declarou Meloni, numa das falas mais duras de um aliado de Trump desde o início dos bombardeios.
A posição da líder italiana escancara o crescente isolamento dos Estados Unidos sob o comando irresponsável de Trump. Enquanto Washington insiste em negar envolvimento no massacre da escola, Trump chegou a sugerir que o Irã teria bombardeado o próprio país , os aliados europeus se afastam. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou os ataques como “imprudentes e ilegais” e foi retaliado com ameaças comerciais por Trump. Emmanuel Macron, embora menos incisivo, também afirmou que a ofensiva ocorreu “fora do âmbito do direito internacional”.
Nos bastidores, a Itália não teria sido avisada previamente sobre os ataques, ao contrário do que ocorrera com aliados em situações anteriores. O opositor Matteo Renzi ironizou: “A ideia de que Meloni seja a ponte entre Trump e a Europa é notícia falsa”.
Meloni, que esteve na posse de Trump e foi elogiada por ele como “líder fantástica”, agora enfrenta pressão interna: a guerra é impopular na Itália, e a primeira-ministra se prepara para um referendo crucial sobre a reforma judicial. Ao criticar o aliado, Meloni não apenas tenta se distanciar de um governo cada vez mais isolado, mas também demonstrar coragem política para colocar o direito internacional acima da lealdade pessoal.
AIN






