A relevância jornalística de Carlson, neste contexto, reside no fato de ele ser um tradicional aliado de Donald Trump e, ainda assim, ter se tornado um dos críticos mais contundentes da abordagem do presidente na crise do Estreito de Ormuz.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 04/04/2026
Tucker Carlson, uma das vozes mais influentes do conservadorismo midiático americano, assumiu um papel central no debate sobre a política externa dos EUA ao argumentar, em seu podcast, que a guerra com o Irã representa “o fim do Império Americano”. A relevância jornalística de Carlson, neste contexto, reside no fato de ele ser um tradicional aliado de Donald Trump e, ainda assim, ter se tornado um dos críticos mais contundentes da abordagem do presidente na crise do Estreito de Ormuz. Sua análise expõe fissuras internas no movimento conservador e no próprio espólio político de Trump, dando voz a um realismo geopolítico que contradiz a retórica belicista da Casa Branca.
Os erros de Donald Trump na crise com o Irã
Ameaça desproporcional sem plano de saída
Trump declarou que bombardearia o Irã até a “Idade da Pedra”, sem apresentar qualquer cronograma para cessar-fogo ou objetivos claros. A ameaça vazia, sem lastro diplomático ou militar sustentável, minou a credibilidade americana.
Transferência de responsabilidade para aliados
Ao mesmo tempo que ameaçava aniquilação, Trump pediu que outras nações “tomassem a liderança” para desbloquear o Estreito de Ormuz, responsável por 20% do petróleo global. A contradição revelou um erro estratégico: querer projetar força sem arcar com o custo de mantê-la.
Isolamento na OTAN
Os aliados da OTAN recusaram-se a intervir após os ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã. Trump passou a criticar a aliança por sua ausência, ignorando que a relutância decorria justamente da falta de coordenação e clareza dos objetivos americanos.
Incapacidade de garantir a segurança marítima
Carlson expôs o erro central: mesmo que os EUA destruíssem o Irã como Estado coeso, senhores da guerra remanescentes poderiam interromper a rota marítima com minas e drones baratos. A força militar tradicional mostrou-se inútil para garantir o fluxo de petróleo, uma admissão implícita de fracasso.
Fim do papel de polícia mundial
Ao reconhecer que os EUA “não podem abrir o Estreito de Ormuz”, Trump sinalizou o colapso do modelo pós-Segunda Guerra Mundial. Carlson sintetizou o erro histórico: “O país que impõe a ordem no Golfo Pérsico é a nação que governa o mundo. Nós não podemos mais.”
Reação ao crítico interno
Diante das críticas de Carlson, Trump respondeu afirmando que o jornalista “se perdeu” e não pertence mais ao movimento MAGA. O episódio evidenciou um erro político adicional: Trump passou a atacar um de seus antigos apoiadores mais influentes em vez de responder substantivamente aos argumentos sobre o declínio imperial.
Conclusão
A análise de Carlson, embora melancólica, oferece um diagnóstico lúcido: o fim do império americano não significa o fim dos EUA, mas exige uma transição dolorosa rumo a um foco no hemisfério ocidental. A cronologia dos erros de Trump, da ameaça vazia à dependência de aliados relutantes, passando pelo isolamento na OTAN, confirma que a crise no Estreito de Ormuz não foi um acidente de percurso, mas o sintoma de uma liderança desorientada diante do ocaso da hegemonia.
AIN






