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Mitigando Os Riscos De Diversity Washing Na Indústria De Seguros: O Exemplo Regulatório que vem de fora- Por Prof. Luiz Roberto Nascimento

Precisamos aprender com isso. O “mercado se autorregula” é uma falácia quando o assunto é justiça social


Enquanto aqui patinamos na despadronização dos dados, o mercado internacional já endurece as
regras. A Califórnia, por meio da Lei AB 979, (CHAPTER 316-Date Published: 10/02/2020
02:00 PM) ,exige que empresas de capital aberto tenham diretores de comunidades sub-
representadas. A Nasdaq, a segunda maior bolsa do mundo, tornou obrigatória a reportagem anual de
diversidade nos conselhos. Na Europa, a diretiva da União Europeia força a transparência, e estudos
como o de Oelrich, Siebold & Ketelhut (2024) disponível em: https://publications.aaahq.org/accounting-
horizons/article-abstract/38/1/123/11595/Diversity-at-Work-Firms-Strategic-Responses-to?redirectedFrom=fulltext, mostram
que, mesmo sob pressão, as respostas variam entre a resistência e a conformidade passiva.
Precisamos aprender com isso. O “mercado se autorregula” é uma falácia quando o assunto é justiça
social. Sem enforcement, sem a obrigação clara de divulgar indicadores padronizados (como o GRI
405), o Diversity Washing continuará sendo uma ferramenta confortável para quem quer parecer
inclusivo sem abrir mão do status quo.
Propostas para sair do “Diversity Washing”
Com base na minha trajetória, desde o TCC sobre “A Mulher na Realidade Brasileira” na
ADESG/BH-1985, até os estudos recentes sobre o Índice ISE, proponho ações concretas para o setor
de seguros:

  1. Padronização ou Multa: O CFC e a Susep precisam impor um padrão único de
    Balanço Social. Não é possível que uma empresa publique dados de gênero  e dados
    raciais não apresente dados de Negros e Mulheres, quando os publica.
    O IDIVERSA B3 é um começo, mas  mostra o atraso do setor.
  2. Cotas e Incentivos: A estimativa é que levaremos 134 anos para a equidade de
    gênero e 167 para a racial se mantivermos o ritmo atual. Sem ações afirmativas (como
    o programa de trainees exclusivo do Magazine Luiza ou a política de compras de
    empresários negros do Integrare), não há evolução orgânica. Precisamos de incentivos
    fiscais para quem comprovar avanço real.
  3. Letramento Racial na Liderança: Em uma pesquisa que realizei, um gerente de RI
    me disse que “não tinha negros na empresa porque a autodeclaração não era
    obrigatória”. Isso não é falta de dado, é falta de letramento racial. Se a liderança não
    entende o problema, a solução nunca virá.
    Conclusão
    Não se trata de “lacração” ou “política de cotas forçada”. Trata-se de gestão de risco e inteligência
    de mercado. Como bem alertou a superintendente da CNseg, Solange Guimarães: “A empresa que
    não tem olhar para a diversidade não tem olhar para o futuro”.
    O Brasil não pode mais conviver com o estigma de que mulheres e negros são a base da pirâmide
    populacional, mas o topo das organizações segue pintado de branco e masculino. A máxima de
    Nelson Mandela ecoa aqui: “Ninguém nasce odiando crianças negras”. Mas também ninguém nasce
    gestor inclusivo. É preciso aprender, regulamentar e, acima de tudo, agir. O custo do Diversity
    Washing já é alto demais para as próximas gerações.

Luiz Roberto Nascimento é profissional com sólida formação técnica e acadêmica nas áreas de finanças, controladoria e gestão de riscos.

Iniciou sua trajetória com o Curso Técnico em Contabilidade (1972) e graduou-se em Administração pelo UniCapital (1976). Especializou-se em Finanças na FECAP-1978 & pelo ICES/UFMG (1982/1984)e cursou Política e Estratégia na ADESG/BH (1985).

Concluiu MBA em Finanças pela RADIAL (2002/2003) e cursos de altos estudos na ESG/FIESP (CGERD – 2021) e na ESD (CEPD – 2022). Desde 2022 participa do Apoio Acadêmico da ADESG/SP.

Na área executiva, foi Diretor do Comitê de Controladoria da ANEFAC (2003-2016), Head de Finanças da PAREJO Consultores de Seguros (2017-2018) e Controller do SILVA ROSA Group (2011-2016). Desde 2017 é sócio da RN ASSESSORIA. Atua como Professor Conteudista na UDC, Grupo KROTON e CENEC/Uberaba, e Professor de Controladoria no MBA da UNISA.

É colaborador das Cátedras de Educação, Inovação e Riscos da ANSP – Academia Nacional de Seguros e Previdência desde 2018, foi Professor de Análise Financeira e Investimentos na ENS – Escola de Negócios e Seguros de 2018 a2023. Desde agosto/2025-Professor de Contabilidade e Finanças na UNIFIEO.

Possui certificações internacionais como CCP, CSA, MFP e RFS (www.theiafm.org).

É Perito em Ciências Gerenciais da Justiça Federal e TJSP desde 2016. Atualmente, Membro do Conselho Fiscal e acumulando o Diretor Financeiro e Vice-Presidente da CONEBRAS – Confederação dos Negros do Brasil entre 2020 e 2024, bem como atua como Blind Reviewer em periódicos científicos asiáticos.

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