Sua ficha criminal incluía uma prisão em março de 2019, três anos depois de deixar o Exército, por uso ilegal de armas e porte de arma de fogo em propriedade escolar.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 20/04/2026
Antes de abrir fogo contra as vítimas, Shamar Elkins ainda teve tempo de seguir em direção a Bossier City. Não chegou. Foi interceptado e morto pelas autoridades no trajeto. O massacre aconteceu por volta das 6h da manhã, horário central, conforme apuração inicial.
O porta-voz do Departamento de Polícia de Shreveport, Chris Bordelon, identificou o atirador. Ainda há muitas peças nesse quebra-cabeça, admitiu, mas os detetives já têm convicção: o tiroteio foi “um incidente puramente doméstico”.
O veterano e suas camadas ocultas
Shamar Elkins tinha 31 anos. Ex-soldado, encerrou o serviço militar em 2016. Horas antes do ataque, postou uma foto com os próprios filhos no Facebook. A imagem do pai orgulhoso não apagava, porém, um histórico que vinha se desenhando há anos.

Sua ficha criminal incluía uma prisão em março de 2019, três anos depois de deixar o Exército, por uso ilegal de armas e porte de arma de fogo em propriedade escolar. Ele havia disparado cinco tiros contra um carro em fuga a apenas 90 metros de uma escola secundária em Shreveport. Declarou-se culpado de porte ilegal de arma e recebeu 18 meses de liberdade condicional. A acusação mais grave foi arquivada.
O grito silencioso nas redes
Dias antes de se tornar o autor do ataque mais letal contra crianças nos Estados Unidos desde janeiro de 2024, Elkins deixou um rastro de angústia pública. Em 9 de abril, escreveu:
“Querido Deus, hoje peço que me ajude a proteger minha mente e minhas emoções. Quando a negatividade surgir, lembre-me de dizer: ‘Isso não me pertence, em nome de Jesus’… Quando a depressão tentar me dominar, quando a raiva surgir, quando a ansiedade ou o pânico chegarem, dê-me a consciência para reconhecer o que não vem de Ti e a força para rejeitá-lo imediatamente em nome de Jesus.”
O pedido de proteção espiritual contrastava com a cronologia de um homem que, na Páscoa, posava radiante com sete crianças na igreja: “Feliz Páscoa! Tive um dia maravilhoso na igreja pela primeira vez com todos os meus filhos. Que dia abençoado!”
O dilema entre o soldado e o pai
Em 2016, sua esposa divulgou uma foto de Elkins fardado, aguardando seu retorno de missão. O orgulho militar, anos depois, dividiria espaço com um pedido de socorro mental ignorado, ou mal compreendido. A sucessão de publicações familiares nunca deixou de existir. Mas ela conviveu, em silêncio, com antecedentes criminais, sinais de crise emocional e uma relação familiar que unia agressor e vítimas sob o mesmo teto.
O massacre de Shreveport não é apenas uma tragédia doméstica. É o retrato cru de um veterano que, entre a depressão, a raiva e a ansiedade que ele próprio nomeou, encontrou armas em vez de acolhimento. E matou sete crianças






