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A gente no aeroporto – Por Lin Quintino

O painel piscava destinos como se anunciasse futuros possíveis

A gente no aeroporto 

O aeroporto sempre foi um lugar de meio, nem chegada, nem partida inteira. Um espaço suspenso onde a vida acontece em pedaços: malas, abraços apressados, despedidas que fingem coragem.

A gente estava ali, sentado lado a lado, dividindo um silêncio que dizia mais do que qualquer conversa. O painel piscava destinos como se anunciasse futuros possíveis, mas o nosso parecia preso naquele banco duro, entre um café morno e um olhar que evitava o outro.

Havia gente demais e, ainda assim, uma solidão que só quem espera conhece. Uma senhora chorava baixinho ao telefone, um menino corria atrás de um avião imaginário, e nós… nós tentávamos entender em que momento o “a gente” começou a virar dois.

Você segurava a passagem com força, como se fosse mais do que um pedaço de papel, como se fosse uma decisão. Eu segurava o tempo, ou pelo menos tentava, atrasando despedidas dentro de mim.

Chamaram seu embarque. Simples assim. Como se o mundo não devesse parar por alguns minutos em respeito ao que estávamos prestes a perder.

Você levantou, sorriu daquele jeito que não era inteiro, e disse “cuida de você”. Eu quis dizer tanta coisa, fica, volta, espera, mas só consegui acenar, pequeno, como quem aceita o inevitável.

E então você foi.

O aeroporto continuou sendo barulhento, vivo, cheio de destinos. Mas naquele instante, ficou imenso demais para mim. Porque às vezes, a gente não fica no aeroporto,  a gente fica no que não embarcou.

Lin Quintino

Lin Quintino – Mineira de Bom Despacho, escritora, poeta, professora e psicóloga. Academia das quais faz parte: Academia Mineira de Belas Artes – AMBA / ANLPPB- cadeira 99, / ALPAS 21, sócia fundadora, cadeira 16; / ALTO; / ALMAS; / ARTPOP; / Academia de Letras Y Artes Valparaíso (chile); / Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires; / ACML, cadeira 61 Membro da OPB e da Associação Poemas à Flor da Pele. Autora dos livros de poemas Entrepalavras e A Cor da Minha Escrita. Comendas: destaque literário da ALPAS-21, / Ubiratan Castro em 2015 pela ABRASA / Certificado pela ALAF de Destaque Literário em 2014 7 Troféu destaque Mulheres Notáveis – Cecília Meireles- Itabira/MG, 2014 Participou de várias coletâneas e antologias nacionais e internacionais.

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Clarín Brasil – JCB News, sendo elas de inteira responsabilidade e posicionamento dos autores.

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