“A esperança de que ainda haja encontros possíveis, de que alguém nos veja por inteiro, de que o amor continue sendo surpresa e não obrigação.”

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 21/07/2026
Ainda se espera pelo buquê da noiva?
Lin Quintino
Outro dia me peguei observando uma cena que atravessa gerações. A música diminui, as solteiras e, hoje em dia, nem só as solteiras, se aproximam da pista. Algumas riem da brincadeira, outras juram que não vão participar, mas acabam ficando por perto. A noiva se vira de costas, ergue o buquê e o lança para trás. Por alguns segundos, o amor parece ganhar a forma de flores voando.
Fiquei pensando se ainda se espera pelo buquê da noiva. A resposta talvez seja não. Pelo menos, não do jeito que era antes.
Houve um tempo em que casar era quase um destino. A felicidade parecia ter endereço certo: vestido branco, alianças e uma fotografia na parede da sala. Quem demorava a casar colecionava perguntas inconvenientes, olhares de pena e conselhos nunca pedidos.
Hoje, felizmente, a vida desaprendeu essas regras. Há quem escolha casar, quem escolha não casar, quem ame mais de uma vez, quem prefira a própria companhia e quem descubra que felicidade não precisa de cerimônia. Ainda assim, existe algo naquele buquê que insiste em sobreviver. Não pelas flores. Nem pela superstição.
O que continua sendo lançado ao alto é a esperança. A esperança de que ainda haja encontros possíveis, de que alguém nos veja por inteiro, de que o amor continue sendo surpresa e não obrigação. Não importa a idade, o estado civil ou a quantidade de desilusões acumuladas. Ninguém fica completamente imune à ideia de que a vida ainda pode reservar um bonito inesperado.
Talvez seja por isso que o buquê nunca tenha sido, de fato, sobre casamento. Sempre foi sobre acreditar. Acreditar que existe um amanhã diferente do ontem. Que ainda é possível recomeçar depois das perdas. Que o coração, mesmo quando aprende a se proteger, nunca desaprende totalmente a esperar.
No fim, talvez ninguém queira, de verdade, pegar o buquê. O que queremos é que a vida, de vez em quando, nos escolha para um instante de felicidade inesperada. E isso não cabe nas mãos. Floresce por dentro.
Lin Quintino

Lin Quintino – Mineira de Bom Despacho, escritora, poeta, professora e psicóloga. Academia das quais faz parte: Academia Mineira de Belas Artes – AMBA / ANLPPB- cadeira 99, / ALPAS 21, sócia fundadora, cadeira 16; / ALTO; / ALMAS; / ARTPOP; / Academia de Letras Y Artes Valparaíso (chile); / Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires; / ACML, cadeira 61 Membro da OPB e da Associação Poemas à Flor da Pele. Autora dos livros de poemas Entrepalavras e A Cor da Minha Escrita. Comendas: destaque literário da ALPAS-21, / Ubiratan Castro em 2015 pela ABRASA / Certificado pela ALAF de Destaque Literário em 2014 7 Troféu destaque Mulheres Notáveis – Cecília Meireles- Itabira/MG, 2014 Participou de várias coletâneas e antologias nacionais e internacionais.
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