Muitas mulheres nascidas na época dos anos 60 e 70 parecem ter invisivelmente muitos braços, quiçá mais do que o próprio “kraken”
Por Eluciana Íris – Academia Mineira de Belas Artes/ Jornal Clarín Brasil JCB – Belo Horizonte em 10/10/2020 às 05hs50mins
MULHERES DA DÉCADA DE 60, 70 SÃO POLVOS OU “KRAKEN”?
As décadas de 60 e 70 foram épocas de cenários de grandes revoluções na música, na arte, na cultura, na ciência.
Alguns destaques elencados: o surgimento dos Beatles; o engenheiro aeroespacial Neil Armstrong pisou na lua pela primeira vez; surgiu o Clube da Esquina, composto por jovens músicos, que reuniam no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte, entre eles , Milton Nascimento, Toninho Horta, Wagner Tiso, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges. Época efervescente de festivais da canção. A estonteante atriz Brigitte Bardot tornou-se símbolo sexual e copiada pelo mundo. O Brasil recebeu a visita da primeira ministra Indira Priyadarshini Gandhi.
Morreu Elvis Presley o ícone do Rock e no Brasil morreu Leila Diniz aos 27 anos, irreverente e determinada, que usou biquíni de duas partes deixando a barriga de grávida exposta, um escândalo para a época. Palmas para Leila, quantas mulheres queria fazer o mesmo
E como esquecer dos filmes Mulher Maravilha, As panteras. Muitas mocinhas sonhavam ser as personagens e ter seus poderes e habilidades. Houve a revolução na telefonia móvel, inventaram o telefone celular, a distância mundial foi encurtada.
Em Minas, São Paulo, Santa Catarina, Ceará, nasciam dezenas de meninas, trazidas ao mundo por parteiras, enroladas em lençóis alvejados, tendo seus umbigos cortados por tesoura afiada, segurada por mãos firmes e experientes.
Crianças colocadas no colo da mãe e o leite jorrando fartamente em suas bocas famintas e delicadas. Registraram Marias, Anas, Franciscas, Marcias, Sandras, Lucianas, Adrianas, Selmas, Valerias, Jaquelines, Lilians, Cristianes, Severinas, Sebastianas, Ednas………..
Nos mares e oceanos polvos com seus oitos braços nadavam livres, sem ameaças, exímios animais caçadores, comida abundante não faltava. A tinta era usada para afugentar inimigos ou rivais de disputa por espaço. Não precisavam camuflar rotineiramente.
Parecidos com os polvos, seres da mitologia nórdica, o “Kraken”, semelhante a uma lula, de 100 braços também reinavam livres, não havia poluição e tampouco predadores humanos, a comida era farta, e quando havia invasores em seu território, abria seus braços e devorava a ameaça.
O tempo passou dos anos 60 e 70, e as boquinhas famintas e delicadas cresceram. Muitas delas copiaram o polvo e o “Kraken”, com inúmeros braços, para darem contas de várias tarefas diárias de trabalho, de labuta, muitas das vezes com jornadas triplas.
Tornaram-se mulheres multi, mulheres “polvo” e algumas até mulheres “Kroken”, seus braços alcançavam o imaginável, suportavam dores, desafios, preconceitos, machismo, e desvencilhavam dos raios cortantes vindo de tempestades verbais, proferidas para diminuírem sua autoestima e coragem.
Maria tornou-se mãe de 2 filhos homens, escolheu ser professora, escritora, poeta, defensora dos direitos das mulheres vítimas de violência doméstica, desenvolveu habilidade de fazer amizades, desenvolveu a sororidade (união, descontruir rivalidade), empatia com os diferentes. Usa seus braços para semear esperança. Tem um gosto por viagens impressionante, por onde passa seu perfume fica no ar, perfume da alma. Usa as redes sociais com maestria para divulgar seus trabalhos,
Com a Doce Luciana, não foi diferente de Maria. Profissionalizou na área da computação, graduou em psicologia, desenvolveu habilidades em artes plásticas, ceramista, ilustradora, advogada, escritora, poeta, palestrante, pesquisadora da área ambiental e muito mais braços habilidosos com super poderes. Nem inveja da mulher maravilha ela teve. Nas horas vagas participa de lives.
Sandra, ahh Sandra, entrou na roda do folclore, desenvolveu, pode se dizer, uns 20 tentáculos no seu corpo, tentáculos que dão as mãos para jovens, adolescentes de periferia, busca resgatar a dignidade e autoestima de muitos, mostrando que todos podem sonhar em ter um mundo melhor. Aduba o terreno para gerar árvores frondosas e acolher na sombra generosa as adversidades do cotidiano, transformando vidas, realizando sonhos, mantém a chama da esperança acessa na alma. Tudo isso, sem perder o papel de mãe, avó, escritora, poeta, ativista cultural e dentista. Além de ser uma ótima amiga, reúne com frequência para celebrarem a vida com uma taça de vinho e um bom queijo.
Edna ganhou mãos de fada, doceira de mão cheia, faz crochê de encher os olhos de tanta beleza, teve 5 filhos, optou por não trabalhar fora de casa, sem perder sua vivacidade, criatividade. Borda, pinta, colori, brinca com os netos, joga cartaz, joga futebol de botão e quando o vento sopra forte solta pipa sem cerol nos campinhos de terra.
As panteras iriam querer ser amigas de todas, a mulher maravilha iria procurar o laço e escudo que cada uma usa nos tempos atuais para se defenderem do machismo, da violência, do feminicídio, da discriminação e falta de respeito presente na sociedade contemporânea.
Muitas mulheres nascidas na época dos anos 60 e 70 parecem ter invisivelmente muitos braços, quiçá mais do que o próprio “kraken”.
A marca registrada impregnada nas certidões de nascimento destas mulheres, é o “universo é o limite”, podendo ousar na hipérbole para decifrar estas mulheres que não param no tempo e nem no espaço, “Meu Deus essas mulheres tem é um milhão de tentáculos”.

Eluciana Iris Almeida Cardoso é natural de Campo Belo-MG, Brasil. Reside em Belo Horizonte, é escritora, poeta, nutricionista, professora, palestrante, bacharel em direito
Membro do Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires.
Membro da Academia Luminiscence Francesa
É Vice-Presidente da Academia Mineira de Belas Artes
Escreve quinzenalmente para o Jornal Clarín Brasil – JCB







Eluciana, boa noite
Interessante polvos e krakem com suas poderosas faculdades, curioso. Imagino que nós, homens, somos infinitamente inferiores às mulheres. Talvez, por isso mesmo, tenham esta falsa conotação de fraqueza e sejam tão sufocadas por nós homens. Tem até um sujeito que se diz presidente da república/ assim em minúsculo, no caso em questão/ que diz coisas absurdas em relação às mulheres: /tive x filhos homens e na última vez, fraquejei, nasceu uma mulher. Tanto mãe como filha moram no mesmo lugar que este homem, que num outro momento se diz /imbrochável. Isto dito da geração de 60/70, mulheres que enfrentarem um regime político extremamente autoritário, correm o risco de serem outra vez discriminadas/afinal de contas o primeiro mandatário, apenas mandatário/ataca as Polvos e Kraken com armas sórdidas/palavras podremente utilizadas. As MULHERES devem lutar sim, com o maior número de braços, farão um mundo melhor, mais justo e digno de se viver.
Gostei muito do seu trabalho com uma pequena ressalva. O Clube da Esquina jamais se reuniu em Santa Tereza onde moravam Marilton Lô e Marcio Borges. Na famosa “Esquina” não foram jamais vistos por nós que vivíamos por ali. Santa Tereza será sempre um bairro muito especial, tanto pela quantidade de artistas como também pela sua curiosa “estrutura ambiental”. Creio que os artistas do C”Clube da Esquina”, aliás excelentes, devem um espetáculo na praça como agradecimento ao nome pelo qual são conhecidos. Meu coração está em Santa Tereza há 66 anos. Pisei por ali aos doze anos de idade e continuo pisando, olhando, conversando e sendo feliz nestes momentos. E por falar nisso, dia 18/10 haverá mais uma edição do Livro de Graça na Praça.
Eluciana, desculpe-me, falei muito. Pra finalizar adoro as mulheres, tenho por elas um grande carinho e respeito e quando nasceram minhas duas filhas senti que dali pra frente iria aprender muito.
Grande abraço, agradeço por ver seu trabalho,
Cícero
Parabéns Elu, apesar de já ter lido esse texto sem o acabamento final, sua evolução em contar uma história está perfeita. Nesse texto mesmo que não e mulher, imagina varias mãos (tentáculos) fazendo varias tarefas ao mesmo tempo, habilidade essa que nos homens não temos. Um texto bem escrito, agussando o imaginário dos leitores, fazendo uma analógia entre um ser mitológico e as mulheres de 60 e 70.
Acredito que temos que ser iguais e que vcs mulheres reconquistaram um espaço que ao meu ver nunca deveriam ter perdido.
Fica uma pergunta, as mulheres não tem como equiparar aos homens pois suas habilidades transcendem e muito a capacidade fisica e mental do homem. Parabéns por esse espaço que sempre foi de vcs e merecem ser reverenciadas e respeitadas por nós.
Parabéns Eluciana Iris ,sempre nos surpreendendo com belíssimos texto ,poesias ,poemas .Adoro ler toda matéria publicada por vc .E lembrando que toda segunda feira assisto o Chá e Poesia com Elas ???????????
Texto incrível, as vezes me sinto uma mulher kraken!