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Supermercados BH avança em negociação para aquisição de 53 lojas da bandeira Epa em Minas Gerais

A rede é líder absoluta em Minas Gerais e mantém uma presença em expansão no Espírito Santo, onde já conta com 44 lojas

O processo de expansão do Supermercados BH no mercado mineiro encontra-se em fase de estruturação de uma nova etapa. A rede encontra-se em negociação para aquisição de 53 unidades operacionais sob a bandeira Epa, movimento inserido em um contexto mais amplo de reorganização setorial e busca por ganhos de escala diante de um ambiente macroeconômico caracterizado por juros elevados e compressão de margens.

A iniciativa sucede à recente assunção, pelo grupo liderado por Pedro Lourenço, das operações do Epa e do Mineirão Atacarejo no Espírito Santo. A presente tratativa pode estar alinhada a uma possível aproximação societária entre as partes, com o objetivo de fortalecer a operação do DMA em um cenário de desafios estruturais para o varejo alimentar.

As informações foram divulgadas com exclusividade ao Diário do Comércio por fontes vinculadas ao mercado, que solicitaram anonimato. Segundo os interlocutores, não há, até o momento, definição quanto à manutenção ou substituição das bandeiras das lojas envolvidas. Qualquer alteração nesse sentido, caso venha a ocorrer, deverá ser implementada apenas em pontos estratégicos, de modo a evitar potenciais impedimentos por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Conforme uma das fontes ouvidas, a existência de um sócio comum entre os dois grupos facilita, do ponto de vista operacional e societário, a condução desse tipo de negociação. “O mercado sempre comenta essa possibilidade. O que se sabe é que a situação financeira do Epa não é favorável, especialmente em um contexto de juros elevados nos últimos dois anos”, afirma o interlocutor.

A estratégia de crescimento alavancado adotada pelo grupo, baseada na abertura contínua de novas unidades financiada pelo fluxo de caixa operacional, teria mostrado sinais de tensão diante das condições econômicas vigentes. “O varejo expandiu-se de forma fortemente alavancada: abre-se uma loja, ela passa a faturar, gera resultado e financia a abertura de novas unidades. Em muitos casos, porém, a operação passou a cobrir apenas as despesas correntes, sem gerar caixa residual suficiente para honrar os compromissos financeiros assumidos”, acrescenta a fonte.

O principal ponto de atenção na transação, contudo, reside na seleção de localizações estratégicas em caso de substituição de bandeira. Embora parte das lojas possa ser absorvida sem restrições pelo Cade, outras unidades — especialmente aquelas situadas em regiões ou bairros com elevada concentração de lojas do Supermercados BH — podem enfrentar maior escrutínio regulatório.

A análise leva em consideração os seguintes parâmetros:

IndicadorSituação Atual (pré-aquisição)Impacto Projetado (pós-aquisição)
Posição no Ranking ABRAS4º lugar nacional -5-8Manutenção do 4º lugar, com fortalecimento da posição
Faturamento AnualR$ 21,28 bilhões (2024) / Projeção de R$ 25 bi (2025) -1-8Expansão da receita, com aumento da participação de mercado
Número de Lojas405 unidades (361 em MG, 44 no ES) -4-5Expansão para aproximadamente 458 unidades
Comparativo com ConcorrentesSupera GPA (R$ 20,05 bi) e outras redes -1Aumento da diferença em relação ao 5º colocado

Com base nas informações disponíveis, caso a aquisição das 53 lojas da bandeira Epa seja efetivada, a posição do Supermercados BH no cenário nacional seria reforçada como a 4ª maior rede supermercadista do Brasil, consolidando sua trajetória de crescimento acelerado e ampliando a vantagem sobre concorrentes diretos.

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