A reação desproporcional ao episódio sugere que sua imagem ultrapassou os limites da influência política e entrou no território da semi idolatria midiática

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 18/09/2025
A suspensão do programa Jimmy Kimmel Live! pela ABC, emissora controlada pela Disney, reacendeu um debate incômodo: até que ponto figuras como Charlie Kirk se tornaram intocáveis diante da opinião pública e da mídia?
A decisão veio após declarações polêmicas de Kimmel sobre o assassinato de Kirk, que geraram forte repercussão. A Nexstar, uma das maiores redes afiliadas, anunciou que deixaria de transmitir o programa, e o episódio rapidamente escalou para o campo político. Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), classificou os comentários como “repugnantes”, enquanto setores ligados ao ex-presidente Trump celebraram a suspensão como uma vitória moral.
?OFFICIAL: JIMMY KIMMEL CANCELED
— Jeremy Kamali (@JeremyKamali) September 17, 2025
Here’s the clip about Charlie Kirks death — that led to Jimmy Kimmel being pulled from 32 ABC stations: pic.twitter.com/wtbE6945nY
Do outro lado, a comissária democrata Anna Gómez acusou o governo de instrumentalizar o Estado para censurar vozes críticas, uma acusação que levanta sérias questões sobre liberdade de expressão e o papel da mídia em proteger o debate público.
O silêncio da Disney e da equipe de Kimmel diante da decisão só reforça a atmosfera de blindagem que parece envolver Charlie Kirk. A reação desproporcional ao episódio sugere que sua imagem ultrapassou os limites da influência política e entrou no território da semi idolatria midiática, onde qualquer crítica é tratada como heresia.
É legítimo questionar: quando uma figura pública se torna tão protegida que provoca censura institucional diante de qualquer provocação, ainda estamos falando de democracia? Ou estamos diante da construção de um mito que a mídia, voluntária ou não, ajuda a perpetuar?

Nilson Apollo Belmiro Santos






