Tarcísio, que até junho figurava como nome competitivo contra Lula em simulações de segundo turno, agora concentra esforços na reeleição ao governo paulista

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 26/09/2025
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comunicou a aliados que não pretende concorrer à Presidência da República em 2026. A decisão ocorre em um cenário de crescente desarticulação no campo conservador, marcado por disputas internas e pela recente recuperação de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo interlocutores, Tarcísio avalia que os últimos movimentos da oposição, especialmente a pressão de Eduardo Bolsonaro por sanções econômicas contra o Brasil via governo Trump, contribuíram para fortalecer Lula internacionalmente e desgastar a imagem da direita. As tarifas impostas pelos Estados Unidos, de até 50% sobre exportações brasileiras, geraram prejuízos comerciais e, paradoxalmente, impulsionaram a imagem do presidente brasileiro, que passou a ser visto como defensor da soberania nacional.
Tarcísio, que até junho figurava como nome competitivo contra Lula em simulações de segundo turno, agora concentra esforços na reeleição ao governo paulista. A decisão evita o risco de renúncia até abril de 2026 e reflete uma leitura de que o campo conservador perdeu força estratégica e coesão.
???: O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, DESCARTOU a possibilidade de concorrer à Presidência da República em 2026.
— Globo do Brasil (@globodissidente) September 26, 2025
Em entrevista coletiva, ele reafirmou seu compromisso com a reeleição no estado. A declaração de Tarcísio ocorre em meio a especulações sobre um… pic.twitter.com/GFGQLjC4W0
Crise de liderança e conflitos internos
A direita enfrenta um momento de dispersão. Eduardo Bolsonaro, mesmo sob risco de condenação no STF, insiste em manter sua pré-candidatura ao Planalto e intensifica ataques a Tarcísio. A família Bolsonaro, alvo de investigações por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, contribui para o clima de instabilidade.
A atuação de Eduardo nos Estados Unidos, incluindo articulações com influenciadores e pressão por medidas contra o Brasil, é vista por Tarcísio como contraproducente. O episódio das sanções, que deveria enfraquecer o governo, acabou gerando uma onda de apoio a Lula, inclusive com elogios públicos de Donald Trump e sinalização de diálogo entre os dois líderes.
Ascensão de alternativas e retração estratégica
Com Tarcísio fora do páreo nacional, nomes como Ratinho Junior (PSD) ganham espaço. O governador do Paraná, com alta aprovação e perfil moderado, é apresentado como gestor técnico e não ideológico. Seu crescimento entre eleitores de esquerda e bolsonaristas indica potencial de convergência, embora dependa de aval partidário e alianças estaduais.
?? AGORA: A avaliação de Tarcísio de Freitas é de que a atuação de Eduardo nas sanções aplicadas ao Brasil dividiu ainda mais a direita.
— Central da Direita ?? (@CentralDireitaB) September 26, 2025
Além disso, o governador atribui a Eduardo a recuperação da aprovação de Lula, que até o início do tarifaço enfrentava desgastes.
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Outros nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado testam viabilidade, mas enfrentam limitações regionais. O PSD, por sua vez, avalia romper com a base de Lula para lançar candidatura própria, apostando na imagem de inovação e estabilidade.
Lula capitaliza fragmentação
A desorganização da oposição favorece o presidente Lula, que lidera simulações de segundo turno contra todos os nomes testados. A percepção de que a direita perdeu força após os episódios internacionais e os conflitos internos se consolida, com Tarcísio optando por preservar capital político em São Paulo e evitar exposição nacional.
A decisão do governador paulista marca um ponto de inflexão: a direita, que até pouco tempo se apresentava como força coesa, agora enfrenta um ciclo de dispersão e desgaste, enquanto Lula, antes em queda, volta a crescer em aprovação e articulação internacional.
Redação






