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Assata Shakur, a última e autêntica Pantera Negra, morre aos 78 anos em Havana

Assata nunca se curvou

Em 25 de setembro de 2025, Assata Shakur, símbolo indomável da resistência negra e da luta contra a opressão, faleceu aos 78 anos em Havana, Cuba. A notícia, confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores cubano, marca o fim de uma era. Mais do que uma militante, Assata foi a personificação da coragem, da convicção e da luta por liberdade em um mundo que tentou silenciá-la.

“Por volta das 13h15 do dia 25 de setembro, minha mãe, Assata Shakur, deu seu último suspiro”, escreveu sua filha, Kakuya Shakur, em uma mensagem comovente nas redes sociais. “Palavras não conseguem descrever a profundidade da perda que estou sentindo neste momento.”

Uma vida forjada na luta

Nascida JoAnne Deborah Byron em 1947, no Queens, Nova York, e criada na Carolina do Norte segregada, Assata enfrentou desde cedo as injustiças raciais que moldariam sua trajetória. Sua consciência política despertou em 1964, quando uma conversa com estudantes africanos a fez questionar tudo o que lhe fora ensinado. “Só um tolo deixa que outra pessoa lhe diga quem é seu inimigo”, escreveu em sua autobiografia de 1987, um manifesto de lucidez e resistência.

Nos anos seguintes, mergulhou no ativismo estudantil, lutando por educação negra e justiça social. Em 1970, ingressou no Partido dos Panteras Negras, onde rapidamente se destacou por sua clareza ideológica. “O inimigo não são os brancos, mas os opressores capitalistas e imperialistas”, escreveu, desafiando narrativas simplistas e reafirmando sua visão revolucionária.

Assata: aquela que luta

Em 1971, adotou o nome Assata Olugbala Shakur;“aquela que luta, amor ao povo, a grata”, como afirmação de sua identidade africana e espiritual. Insatisfeita com os rumos do Partido, uniu-se ao Exército de Libertação Negra (BLA), onde sua militância se intensificou. Perseguida pelo Estado, foi acusada de diversos crimes entre 1971 e 1973, todos posteriormente arquivados ou absolvidos.

O episódio mais emblemático ocorreu em 1973, quando uma abordagem policial terminou em tiroteio e mortes. Condenada em 1977 por envolvimento na morte do policial Werner Foerster, Assata sempre negou ter disparado qualquer arma. Em 1979, protagonizou uma fuga cinematográfica da prisão, auxiliada por militantes do BLA, e encontrou asilo político em Cuba, onde viveu como símbolo da luta antirracista.

Símbolo de resistência global

Em 2013, tornou-se a primeira mulher incluída na lista de terroristas mais procurados pelo FBI, uma tentativa de criminalizar sua luta. Mas Assata nunca se curvou. Sua autobiografia, suas palavras e sua postura inspiraram gerações de ativistas em todo o mundo. Enquanto era difamada por autoridades, era reverenciada por movimentos que viam nela a última e autêntica Pantera Negra.

Assata Shakur não foi apenas uma combatente. Foi uma mulher que ousou viver com firmeza, que enfrentou o sistema com convicção e que, mesmo no exílio, permaneceu como farol para quem acredita que justiça não é concessão, mas conquista.

Hoje, seu nome ecoa como símbolo de dignidade, coragem e amor ao povo. Assata vive em cada marcha, em cada verso, em cada luta por liberdade.

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