A ordem rompe com o moratório voluntário adotado pelos EUA desde 1992, quando o país realizou seu último teste explosivo, denominado “Divider”, no atual Nevada National Security Site

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 30/10/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta quinta-feira (30) que o Departamento de Defesa retome imediatamente os testes com armas nucleares. A decisão, anunciada por meio de rede social, ocorre horas antes de seu encontro com o presidente chinês Xi Jinping, em Gyeongju, na Coreia do Sul, durante a cúpula da APEC.
Segundo Trump, a medida visa restabelecer a paridade estratégica com outras potências nucleares. Ele destacou que os EUA possuem o maior arsenal do mundo, seguidos por Rússia e China esta última com projeção de equiparação em cinco anos.
Fim do moratório de 1992
A ordem rompe com o moratório voluntário adotado pelos EUA desde 1992, quando o país realizou seu último teste explosivo, denominado “Divider”, no atual Nevada National Security Site. Desde então, a confiabilidade do arsenal tem sido mantida por simulações computacionais e experimentos subcríticos.
Especialistas apontam que os novos testes devem validar o desempenho de ogivas existentes e reforçar a segurança operacional. O Departamento de Energia confirmou que o local em Nevada está pronto para realizar explosões subterrâneas seguras em poucas semanas.
Pressão internacional e avanços russos
A decisão americana ocorre em meio a uma série de demonstrações militares por parte da Rússia. Na terça-feira (28), Moscou testou com sucesso o torpedo nuclear Poseidon, capaz de gerar tsunamis radioativos e com alcance de 10 mil km. O presidente Vladimir Putin confirmou o lançamento a partir de submarino, ativando pela primeira vez sua propulsão nuclear.
Além disso, o míssil de cruzeiro Burevestnik foi testado em 21 de outubro, seguido por exercícios nucleares em 22 de outubro. Autoridades russas afirmam que notificaram previamente os EUA sobre os testes.
Comparativo global de arsenais
Em 2025, a Rússia lidera com 5.459 ogivas nucleares, seguida pelos EUA com 5.177 e pela China com cerca de 600. A Coreia do Norte permanece como o único país a realizar testes explosivos desde 1998.
Trump uncorks startling nuclear bomb order on Truth Social https://t.co/PQdGvQ0yQ8 So what if Trump has dementia? Now he's ramping up Nuclear bombs….
— VFran- Pro Free Speech, Pro Democracy (@vrkrb2) October 30, 2025
A retomada dos testes pelos EUA pode influenciar negociações trilaterais com Rússia e China, especialmente diante da ausência de ratificação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares pelos americanos. O Senado rejeitou o tratado em 1999 por motivos de segurança.
Modernização e implicações diplomáticas
O arsenal americano inclui mísseis balísticos intercontinentais como o Minuteman III, que recentemente passou por testes de entrega sem ogivas em Utah. O custo anual da manutenção e modernização do arsenal nuclear dos EUA é estimado em cerca de 1 trilhão de dólares até 2034.
Analistas avaliam que a decisão de Trump pode reacender tensões diplomáticas e acelerar a corrida armamentista global. A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos do encontro entre Trump e Xi Jinping, que pode redefinir os rumos da segurança estratégica mundial.
IAN






