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Ministro Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro com regras rigorosas

“O descumprimento das regras da prisão domiciliar humanitária temporária ou de qualquer uma das medidas cautelares implicará na sua revogação e ao retorno imediato ao regime fechado ou, se necessário for, ao hospital penitenciário.”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (24/3) conceder prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo prazo de 90 dias. A medida, fundamentada em razões de saúde, substitui o regime fechado e está condicionada ao cumprimento de uma série de restrições severas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Monitoramento ininterrupto e controle de circulação

De acordo com a decisão, o monitoramento eletrônico será contínuo e restrito à residência do ex-presidente. A tornozeleira terá sua área de circulação limitada exclusivamente ao interior do imóvel, sendo obrigatório o envio diário de relatórios de localização ao Poder Judiciário.

Além da fiscalização eletrônica, haverá acompanhamento presencial pela Polícia Militar do Distrito Federal, com vigilância na parte externa da residência e inspeção em veículos que entrem ou saiam do local.

Proibições territoriais e de manifestações

Foi determinada a proibição de manifestações públicas e aglomerações num raio de até um quilômetro ao redor da residência, visando assegurar a ordem pública e evitar qualquer forma de perturbação.

Regime de visitas rigorosamente controlado

O ministro estabeleceu regras específicas para a circulação de pessoas:

  • Filhos – Flávio, Carlos e Jair Renan Bolsonaro poderão realizar visitas duas vezes por semana, em horários previamente determinados.
  • Esposa e residentes – Michelle Bolsonaro e demais familiares que habitam o imóvel têm acesso livre.
  • Advogados – poderão reunir-se diariamente com o ex-presidente, mediante agendamento.
  • Profissionais de saúde e fisioterapeutas – os atendimentos médicos estão liberados sem necessidade de aviso prévio, e as sessões de fisioterapia ocorrerão em dias e horários fixos.
  • Demais visitas – estão suspensas por todo o período de 90 dias, considerado essencial para a recuperação clínica do ex-presidente.

Isolamento comunicacional total

A decisão impõe restrição absoluta à comunicação de Bolsonaro com o meio externo. Fica proibido o uso de:

  • Telefone celular ou fixo;
  • Qualquer outro meio de contato, ainda que por intermédio de terceiros;
  • Redes sociais;
  • Gravação de vídeos ou áudios.

Visitantes deverão entregar seus aparelhos eletrônicos à custódia das autoridades antes de qualquer encontro.Consequências do descumprimento

A inobservância de qualquer uma das condições impostas implicará a revogação automática da prisão domiciliar. Nessa hipótese, o ex-presidente será imediatamente reconduzido ao regime fechado ou, se necessário, ao hospital penitenciário.

Conforme destacou o ministro:
“O descumprimento das regras da prisão domiciliar humanitária temporária ou de qualquer uma das medidas cautelares implicará na sua revogação e ao retorno imediato ao regime fechado ou, se necessário for, ao hospital penitenciário.”

Contexto da decisão

A medida foi concedida enquanto Jair Bolsonaro permanece internado no Hospital DF Star, em Brasília, em tratamento de broncopneumonia. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e, sem a decisão, retornaria ao sistema prisional após receber alta.

O parecer favorável à prisão domiciliar foi emitido pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, que destacou a necessidade de cuidados médicos contínuos em ambiente familiar. A decisão também considerou antecedentes relacionados ao uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro, incluindo uma violação do equipamento registrada em novembro de 2022.

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