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Faturamento real da indústria de transformação cresce 4,9% em fevereiro, mostra CNI

Os indicadores do mercado de trabalho industrial permaneceram praticamente estáveis em fevereiro.

O faturamento real da indústria de transformação cresceu 4,9% em fevereiro, segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada nesta quarta-feira, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), presidida por Ricardo Alban (foto: Iano Andrade/CNI). Com o desempenho de janeiro, quando o índice teve alta de 1,3%, no ano, a indústria acumula um aumento de 6,2% no faturamento em relação a dezembro de 2025. O resultado, no entanto, está longe de ser um indicativo de melhora no setor industrial brasileiro. Isso porque na comparação com os meses de janeiro e fevereiro do ano passado, o faturamento industrial já caiu 8,5% em 2026, segundo o levantamento.

De acordo com a análise da CNI, a sequência positiva no início de 2026 reflete, em grande medida, uma base de comparação enfraquecida, não indicando uma reversão estrutural do quadro negativo observado desde o segundo semestre de 2025. O setor permanece pressionado pelo ambiente de juros elevados — a taxa Selic atingiu 15% ao ano em junho de 2025, patamar mantido até março de 2026, quando houve um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano — e pela desaceleração da economia doméstica, que restringe o consumo e os investimentos produtivos.

Horas trabalhadas na produção
O indicador de horas trabalhadas na produção, que mede o nível de atividade operacional das fábricas, cresceu 0,7% em fevereiro sobre janeiro, registrando o segundo avanço consecutivo. Apesar disso, o indicador ainda acumula uma queda de 2,7% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. A CNI avalia que o aumento recente compensa apenas parte das perdas acumuladas ao longo da segunda metade do ano passado.

Utilização da Capacidade Instalada (UCI)
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) apresentou leve recuo, passando de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro, mantendo-se praticamente estável. Contudo, na análise do bimestre, a UCI média do primeiro bimestre de 2026 ficou 1,6 ponto percentual abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. O patamar atual, próximo a 77%, indica a persistência de ociosidade no parque industrial brasileiro, com consequências negativas para a produtividade e os custos fixos das empresas.

Mercado de trabalho industrial
Os indicadores do mercado de trabalho industrial permaneceram praticamente estáveis em fevereiro. O emprego no setor registrou ligeira retração de 0,1% na comparação com janeiro e acumula queda de 0,4% no primeiro bimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025. A massa salarial real e o rendimento médio real dos trabalhadores não apresentaram variações relevantes no mês. No acumulado do ano, a massa salarial registra alta de 0,9%, enquanto o rendimento médio cresceu 1,4% em relação ao primeiro bimestre de 2025, sugerindo uma recomposição parcial da renda do trabalho mesmo em um cenário de emprego estagnado.

Avaliação da CNI e perspectivas
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, afirma que “ainda é cedo para apontar uma reversão do quadro negativo visto desde o segundo semestre do ano passado. Os resultados positivos vistos nesse início de ano se explicam mais pela base fraca de comparação do que por uma mudança drástica do cenário de dificuldade que a indústria vem enfrentando”. O economista acrescenta que esses resultados não reverteram as quedas dos últimos meses de 2025 e que, no curto prazo, não se vislumbram mudanças significativas no cenário de demanda mais fraca para a indústria, o que deve continuar se refletindo em faturamento contido e horas trabalhadas comprimidas .

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