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A FIFA cancela a suspensão por cartão vermelho de astro americano após suposto telefonema de Trump

A Bélgica prometeu “defender o futebol” após a controversa decisão da FIFA de permitir que Folarin Balogun jogasse na partida decisiva das oitavas de final.

A FIFA suspendeu a punição de um jogo imposta ao atacante americano Folarin Balogun, liberando-o para jogar nas oitavas de final da Copa do Mundo contra a Bélgica, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria pedido ao chefe da entidade máxima do futebol que revisasse o caso.

Balogun foi expulso aos 64 minutos da vitória da seleção dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, na fase de 32 avos de final, na quarta-feira. De acordo com as regras da Copa do Mundo, o cartão vermelho acarretava suspensão automática de uma partida, o que deixaria o atacante nigeriano-americano de fora do confronto eliminatório de segunda-feira, no Estádio de Seattle.

No entanto, a FIFA anunciou no domingo que a aplicação da suspensão automática foi suspensa por um período probatório de um ano, conforme o Artigo 27 do seu código disciplinar. A decisão significa que Balogun, que marcou três gols no torneio, estará disponível para a seleção dos Estados Unidos, que busca sua primeira classificação para as quartas de final da Copa do Mundo desde 2002.

O jornal The New York Times noticiou que Trump ligou para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na quarta-feira, e pediu que ele revisasse a suspensão de Balogun, citando fontes familiarizadas com a conversa. A Casa Branca não confirmou publicamente a ligação, mas direcionou os repórteres para a postagem comemorativa de Trump no Truth Social.

“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, escreveu Trump no domingo.

A decisão provocou indignação na Bélgica, cuja federação de futebol disse estar “estarrecida” com a decisão da FIFA e que estava analisando “todas as opções possíveis” antes da partida. O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, ironizou a reversão, chamando-a de uma piada de 1º de abril de mau gosto.

“Não estamos defendendo a seleção nacional ou a federação, estamos defendendo o futebol”, disse Garcia.

A reviravolta é bastante incomum, embora não seja inédita. A FIFA tomou uma medida semelhante antes do torneio, quando liberou Cristiano Ronaldo para jogar por Portugal, apesar da suspensão por cartão vermelho recebida em uma partida das eliminatórias contra a Irlanda. Ronaldo recebeu uma suspensão de três jogos, mas duas partidas foram suspensas, permitindo que ele participasse da Copa do Mundo.

Antes disso, a última intervenção comparável em uma Copa do Mundo ocorreu em 1962, quando o lendário brasileiro Garrincha foi liberado para jogar a final após ser expulso na semifinal – oito anos antes de a FIFA introduzir o sistema moderno de cartão vermelho na Copa do Mundo de 1970.

A decisão da FIFA surge em meio ao escrutínio dos laços estreitos de Infantino com Trump. A entidade máxima do futebol já havia criado e concedido ao presidente americano o Prêmio da Paz, após sua campanha pública, porém malsucedida, para ganhar o Prêmio Nobel da Paz.

Os Estados Unidos sediarão a Copa do Mundo de 2026 em conjunto com o Canadá e o México. O torneio acontecerá de 11 de junho a 19 de julho e será realizado em 16 cidades, sendo 11 nos Estados Unidos. A final está marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Os Estados Unidos e a Bélgica se enfrentaram pela última vez em uma Copa do Mundo nas oitavas de final de 2014, quando a Bélgica venceu por 2 a 1 na prorrogação, apesar da atuação histórica do goleiro americano Tim Howard, que fez 16 defesas.

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