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A HIPOCRISIA DE TRUMP: NEGA AMIZADE COM EPSTEIN ENQUANTO ARQUIVOS O VINCULAM MILHARES DE VEZES AO CASO

“Conheço Jeff há quinze anos. Cara terrível… Gosto de dizer que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são bem jovens.”

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, negou veementemente ser amigo do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, acusando-o inclusive de “conspirar” contra sua presidência. A alegação, feita em sua plataforma Truth Social, contrasta radicalmente com a avalanche de evidências documentais recém-liberadas.

Na semana passada, o Departamento de Justiça cumpriu a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein – ironicamente, assinada pelo próprio Trump em 2019 – e divulgou um lote final de milhões de páginas, vídeos e imagens. O material é devastador para a narrativa do ex-presidente: seu nome é mencionado nos arquivos em pelo menos 3.000 ocasiões, situando-o no mesmo círculo de figuras de alto perfil que mantiveram contato com Epstein, como Bill Clinton, Bill Gates e Elon Musk.

Em sua postagem, Trump insistiu: “não só não era amigo de Jeffrey Epstein, como… Epstein e um ‘autor’ mentiroso e desprezível chamado Michael Wolff conspiraram para me prejudicar”. Afirmou ainda, de forma categórica, nunca ter ido à famosa ilha privada de Epstein, acusando “democratas corruptos” de frequentarem o local.

No entanto, a tentativa de se distanciar e se retratar como vítima soa profundamente hipócrita diante do histórico público. Fotografias e registros sociais mostram os dois homens juntos em eventos na década de 1990 e 2000, com o próprio Trump tendo dito em uma entrevista de 2002: “Conheço Jeff há quinze anos. Cara terrível… Gosto de dizer que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são bem jovens.”

O Departamento de Justiça, em comunicado que acompanhou a divulgação, afirmou que os e-mails não sugerem que Trump tenha cometido crimes ou tido contato inadequado com vítimas. Contudo, os arquivos revelam Epstein frequentemente menosprezando Trump, chamando-o de “estúpido” e questionando sua sanidade – um possível indício de uma relação conturbada, mas longe de ser inexistente.

A estratégia de Trump é clara: atacar a fonte (o autor Michael Wolff, que de fato encorajou Epstein a falar sobre Trump), negar a relação apesar das evidências fotográficas e históricas, e tentar redirecionar o foco exclusivamente para seus adversários políticos. Enquanto isso, seus 3.000 aparecimentos nos arquivos permanecem como um testemunho documental incontornável de sua proximidade com o círculo do criminoso, desmentindo a fachada de completo estranho que agora tenta construir. A negação, portanto, parece menos uma defesa baseada em fatos e mais um ato calculado de revisionismo histórico perante uma prova esmagadora.

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