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Brasil reforça protagonismo global no setor alimentício com escola de inglês da JBS para operações na Austrália

Iniciativa inédita prepara colaboradores brasileiros para atuar em unidade na Oceania, consolidando o País como celeiro de talentos e referência mundial na indústria de proteína animal

Enquanto nações disputam fatias do mercado internacional de alimentos, o Brasil avança com um diferencial que vai além da terra fértil e do rebanho robusto: a capacidade de exportar também conhecimento técnico e mão de obra qualificada. Prova disso é a recém-inaugurada English Academy da JBS, escola corporativa de inglês criada para preparar colaboradores brasileiros a atuarem em suas operações na Austrália — um movimento que escancara a vocação natural e o domínio internacional do País no setor alimentício.

Não se trata apenas de vender carne. Trata-se de formar pessoas, transferir tecnologia e ocupar posição de liderança em toda a cadeia global do alimento.

Uma escola brasileira em solo australiano

Batizada de English Academy, a iniciativa combina ensino do idioma, adaptação cultural e experiência prática na indústria. A escola está localizada em Dinmore, Ipswich, no estado de Queensland, onde a JBS opera sua maior unidade de carne bovina na Oceania. A primeira turma, com 30 profissionais da área de produção, embarcou em março. O segundo embarque está previsto para abril.

O programa de imersão pode durar até 12 meses, dependendo do progresso de cada aluno. As aulas são presenciais, com carga horária de 20 horas semanais, e têm foco no vocabulário técnico da indústria de alimentos e no contexto cultural australiano.

Os materiais didáticos foram desenvolvidos internamente, em conformidade com o Australian Education Services for Overseas Students (ESOS) Framework e aprovados pela Australian Skills Quality Authority — órgão regulador nacional do setor de educação e treinamento vocacional na Austrália.

Apoio à adaptação: moradia e integração plena

Para garantir que o aprendizado não seja prejudicado por dificuldades logísticas, os participantes serão acomodados em casas totalmente mobiliadas, localizadas a aproximadamente dois quilômetros da planta e da escola. O modelo permite que os colaboradores conciliem o aprendizado do idioma com experiência profissional desde o início de sua jornada com a JBS Austrália.

Talento brasileiro como ativo estratégico

Segundo a empresa, a criação da escola abre a oportunidade de aprimorar a proficiência em inglês de profissionais com forte experiência técnica que nem sempre tiveram acesso prévio ao ensino formal do idioma.

“Além da fluência, a adaptação cultural é fundamental para que os profissionais se estabeleçam no país e evoluam em suas carreiras”, afirma Ana Ruperez, coordenadora de Mobilidade Global da JBS Austrália.

A preparação dos participantes começou no Brasil em julho de 2025, com aulas on-line realizadas duas vezes por semana e ministradas pelo mesmo professor que acompanha o grupo na etapa presencial. Em março de 2026, o treinamento passou a ser totalmente presencial e integrado à rotina da unidade da JBS em Dinmore.

O Brasil não é só fornecedor, é formador de talentos globais

De acordo com a JBS, trazer o curso para dentro da empresa permite um acompanhamento mais próximo do desempenho dos alunos e um melhor equilíbrio entre trabalho e estudo.

“Temos profissionais altamente qualificados no Brasil e queremos ampliar as oportunidades para que esses talentos atuem globalmente. A escola foi criada para que o idioma não seja um obstáculo nesse caminho”, afirma Fernando Meller, diretor executivo de Recursos Humanos da JBS Brasil.

English Academy faz parte do esforço mais amplo da companhia para preparar profissionais para posições internacionais. Criado há dez anos, o programa JBS Global Talent já levou colaboradores da JBS para unidades nos Estados Unidos, Canadá, México, Inglaterra e Austrália.

“Não se trata apenas de mobilidade, mas de desenvolvimento de carreira”, acrescenta Meller. “Quando integramos idioma, cultura e trabalho, aumentamos as chances de sucesso no longo prazo”.

Vocação natural + domínio internacional = Brasil potência alimentícia

A iniciativa da JBS escancara um fato que o mercado internacional já reconhece, mas que o Brasil ainda subestima em seu discurso interno: o País não é apenas o maior exportador de proteína animal do mundo. É também um celeiro de talentos capazes de operar, gerir e ensinar a indústria alimentícia em qualquer continente.

Enquanto outras nações enfrentam gargalos de mão de obra especializada, o Brasil forma, dentro de casa, profissionais que dominam a técnica, aprendem o idioma e se adaptam à cultura australiana — sem perder a essência que fez do agronegócio brasileiro referência mundial em produtividade, inovação e escala.

A English Academy não é apenas uma escola. É um símbolo: o Brasil não veio para competir. Veio para liderar.

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