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Certificado digital “obrigatório” motiva protestos em Itália, França e Alemanha

Os opositores a este certificado denunciam aquilo que consideram ser “medidas opressivas”, que impõem de forma compulsiva a vacinação contra a Covid-1

Jornal Clarín Brasil JCB News – Brasil 08/08/2021

O certificado digital Covid passou a ser um requisito quotidiano na maioria dos países-membros da União Europeia. Na generalidade, o documento foi bem aceite, mas países como Itália, França e Alemanha têm visto protestos contra o certificado, criticando a imposição da vacinação à população.Começou por ser um certificado que procurava facilitar a circulação entre Estados-membros da UE, mas agora é muito mais do que isso. O certificado digital Covid, que atesta a vacinação, a testagem ou a recuperação da doença, é agora um documento imprescindível em vários países europeus, servindo de salvo-conduto para a vida quotidiana, numa altura em que se assiste a um recrudescimento da pandemia provocado pela variante Delta.

Em pouco mais de um mês, foram emitidos mais de 300 milhões de certificados na União Europeia e este serve agora de livre passe para o acesso a vários estabelecimentos, recintos ou para a participação em diversas atividades e eventos – motivo pelo qual se tornou um documento controverso e causador de protestos em alguns países europeus.

Em Portugal, por exemplo, já foram emitidos mais de 4,6 milhões destes certificados, que para além de serem obrigatórios para viajar, passaram a ser indispensáveis para a o acesso a restaurantes ao fim-de-semana e estabelecimentos turísticos e alojamentos locais, bem como a aulas de grupo nos ginásios, termas e spas e casinos.

À semelhança, em Itália o certificado sanitário também passou a ser obrigatório para o acesso a bares e restaurantes, para além de ginásios e cinemas, assim como em França.

Na Grécia, apenas clientes vacinados são permitidos em bares, cinemas, teatros e outros recintos fechados e os restaurantes foram classificados em três categorias que distinguem aqueles que apenas admitem pessoas com certificado de vacinação, aqueles que aceitam pessoas com um teste negativo à Covid-19 e aqueles que garantem que todos os funcionários do estabelecimento foram vacinados.
Em Malta, apenas é permitida a entrada no país com a apresentação do certificado digital e na Roménia a capacidade dos espaços culturais é ampliada consoante o número de espectadores que apresentem o certificado.

Na Dinamarca, país pioneiro nos certificados de vacina, o documento enfrentou fraca resistência por parte da população, mas o mesmo não está a acontecer noutros países, como França, Itália ou Alemanha, onde várias cidades têm sido palco de protestos contra este passe sanitário.
Franceses gritam:

“Não à ditadura”


Na França, cerca de 237 mil pessoas marcharam no sábado em várias cidades pelo quarto fim-de-semana consecutivo contra o passe sanitário, que a partir de segunda-feira passará a ser exigido à entrada da maioria dos locais públicos em França.

Os opositores a este certificado denunciam aquilo que consideram ser “medidas opressivas”, que impõem de forma compulsiva a vacinação contra a Covid-19. Em Paris, Nice, Montepellier, entre outras cidades, os manifestantes envergavam cartazes com as palavras “Não à ditadura” e cantavam “Macron, não queremos o teu passe sanitário”.

O passe, já exigido para entrar em lugares como museus, cinemas, teatros e discotecas, será alargado a outros espaços a partir da próxima segunda-feira, como cafés, restaurantes, comboios de longo curso e voos domésticos. O certificado será igualmente exigido aos doentes não-urgentes e visitantes dos estabelecimentos de saúde e lares de idosos.

Alguns manifestantes protestaram também contra o fato de o Governo francês ter tornado as vacinas contra a covid-19 obrigatórias para os trabalhadores do setor da saúde até 15 de setembro.

Em resposta às manifestações, o Presidente francês Emmanuel Macron voltou a apelar à vacinação e sublinhou que o certificado protegerá todas as liberdades.

“É uma questão de cidadania. A liberdade só existe se a liberdade de todos for protegida. Não adianta nada se, ao exercermos a nossa liberdade, contagiarmos o nosso irmão, vizinho, amigo, pais ou alguém com quem nos cruzámos num evento. Por isso, a liberdade torna-se uma responsabilidade”, apelou Macron numa mensagem deixada nas redes sociais.


Apesar dos protestos, a maioria dos franceses apoia o passe sanitário e os números demonstram que a taxa de vacinação aumentou em França depois de Macron ter anunciado, no mês passado, os planos que envolviam o certificado – o que demonstra que a estratégia adotada pelo Presidente francês está a ser bem-sucedida.Mais de 44 milhões de franceses já receberam pelo menos uma dose da vacina (quase 60 por cento da população) e 55 por cento da população tem já a vacinação completa.

Depois de mais um dia de protestos, o Governo francês garantiu este domingo que haverá, no entanto, flexibilidade da aplicação do certificado de saúde. O ministro francês da Saúde, Olivier Véran, anunciou que o certificado será válido com um teste negativo à Covid-19 realizado em 72 horas e não em 48.
Italianos e alemães também saem às ruas
O último sábado foi também dia de manifestações em Itália. Cerca de mil pessoas estiveram na Piazza del Popolo, no centro de Roma, em protesto contra o referido certificado. Segundo a agência noticiosa italiana Ansa, milhares de pessoas também desfilaram em Milão, no Norte, alguns utilizando indicações de “Não vacinado”.

Em Nápoles, no sul do país, há registo de uma centena de participantes num protesto idêntico, que também manifestou oposição à vacinação de crianças contra a Covid-19.

O passaporte verde, uma extensão do certificado digital da União Europeia, tornou-se obrigatório em Itália na sexta-feira para entrar em cinemas, museus, em recintos desportivos fechados e no interior de restaurantes. 
Para os que trabalham em escolas e universidades também será necessário, assim como para estudantes, a partir de 1 de setembro, sendo ainda obrigatório em voos domésticos e viagens de trêns de longa distância.

Na Alemanha, protestos em Berlim contra o certificado no passado fim-de-semana provocaram violentos confrontos com a polícia, havendo registo de uma vítima mortal, segundo avança a EuroNews. Cerca de 600 pessoas foram detidas.

Os manifestantes protestavam contra o certificado sanitário, que passou a ser exigido para jantares em restaurantes ou estadias num hotel.

Por Mariana Ribeiro Soares – RTP

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