“Ninguém se encontra, apenas se esbarra.”

Jornal Clarín Brasil JCB News – Brasil 24/08/25
Cidade em trânsito
Lin Quintino
No ônibus lotado, os corpos se encostam sem pedir licença. É o único lugar em que a intimidade não é escolha, mas consequência da pressa. As janelas abertas trazem o ar quente, misturado ao cheiro de gasolina e perfume barato.
A cidade pulsa, mas não respira. Entre buzinas e sirenes, cada esquina é um aviso: o tempo aqui não é de ninguém. O sinal abre, fecha, abre, e ainda assim parece que estamos todos parados.
Os prédios se multiplicam como espelhos de concreto, refletindo a pressa de quem olha sem ver. As pessoas descem as calçadas em marcha, olhos fixos nas telas, como se o chão não fosse mais suficiente. Ninguém se encontra, apenas se esbarra.
E no meio desse vai e vem, penso: será que alguém nota o menino que vende balas no farol? Ou a senhora que carrega sacolas pesadas, sozinha? Talvez a cidade nos treine para olhar sem enxergar.
O urbano é isso: um grande palco onde cada um corre atrás de um papel, mas quase ninguém sabe se decorou a fala.
Lin Quintino

Lin Quintino – Mineira de Bom Despacho, escritora, poeta, professora e psicóloga. Academia das quais faz parte: Academia Mineira de Belas Artes – AMBA / ANLPPB- cadeira 99, / ALPAS 21, sócia fundadora, cadeira 16; / ALTO; / ALMAS; / ARTPOP; / Academia de Letras Y Artes Valparaíso (chile); / Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires; / ACML, cadeira 61 Membro da OPB e da Associação Poemas à Flor da Pele. Autora dos livros de poemas Entrepalavras e A Cor da Minha Escrita. Comendas: destaque literário da ALPAS-21, / Ubiratan Castro em 2015 pela ABRASA / Certificado pela ALAF de Destaque Literário em 2014 7 Troféu destaque Mulheres Notáveis – Cecília Meireles- Itabira/MG, 2014 Participou de várias coletâneas e antologias nacionais e internacionais.
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