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Contrariando vontade da população, Assembleia de MG abre caminho para privatização da Copasa e gera alerta sobre controle da água

A base do governador Romeu Zema (Novo), conseguiu os votos exatos necessários para a mudança, evitando que a população fosse diretamente consultada sobre o futuro de sua água.

Em uma sessão conturbada, que incluiu até a checagem de votos por um sistema similar ao VAR, os deputados estaduais de Minas Gerais aprovaram nesta quarta-feira a PEC do Referendo (24/2023). A mudança constitucional, aprovada por 48 votos a 22, elimina a obrigatoriedade de realizar um referendo popular para privatizar a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

A decisão representa uma guinada histórica na gestão de um recurso essencial à vida, transferindo para o mercado o controle da água que abastece milhões de mineiros. Especialistas alertam que a privatização de serviços de saneamento, como os prestados pela Copasa, coloca em risco o acesso universal à água, podendo levar ao aumento tarifário e à piora do atendimento em regiões de baixa rentabilidade.

A aprovação ocorreu em um cenário de intensos debates e ânimos acirrados, com a oposição destacando o perigo de se entregar um bem público vital à lógica do lucro. A base do governador Romeu Zema (Novo), no entanto, conseguiu os votos exatos necessários para a mudança, evitando que a população fosse diretamente consultada sobre o futuro de sua água.

Os riscos da privatização da água:

  • Tarifas mais caras: Sem a obrigação social do Estado, a nova concessionária priorizaria a lucratividade, pressionando o valor das contas.
  • Desabastecimento em comunidades carentes: Localidades remotas ou de baixo poder aquisitivo podem ser negligenciadas por não serem consideradas mercados rentáveis.
  • Perda de controle social: A população mineira perde o poder de decisão direta sobre um patrimônio público estratégico.
  • Qualidade do serviço: A pressão por cortes de custos pode comprometer investimentos em infraestrutura e a qualidade do tratamento e distribuição de água.

Como votaram os deputados:

Deputados ausentes na votação (3): Chiara Biondini (PP) João Vítor Xavier (Cidadania – licenciado) Mário Henrique Caixa (PV) Deputados que não votaram (3): Coronel Henrique (PL) Dr. Mauricio (Novo) Sargento Rodrigues (PL)

Não vota (1):
Tadeu Leite (MDB), presidente da ALMG

A decisão ignora apelos da sociedade civil e especialistas do setor, que consideram a água um direito humano fundamental e não uma mercadoria. O caminho agora está aberto para o governo estadual avançar com o leilão da companhia, um dos maiores patrimônios públicos de Minas Gerais.

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