Por RTP Agência pública de Portugal – Lisboa 03/04/2020 às 18h39min
Há relatos de pessoas que, depois de se curarem da Covid-19, são novamente infectadas. Mas há investigadores que consideram improvável haver risco de reinfecção pelo novo coronavírus. Fica a dúvida: podemos ou não ser infectados mais que uma vez?Em fevereiro uma mulher no Japão, que tinha estado doente com Covid-19 e que recuperou, ficou infectada uma segunda vez.
A japonesa de 40 anos fez os testes no fim de janeiro – os quais deram positivo – e, após recuperar e os testes darem negativo, teve alta hospitalar. Uns dias depois, já em fevereiro, a mesma mulher começou a ter sintomas, como dores de garganta e dores no peito, e realizou novamente os testes de diagnóstico para o novo coronavírus, que confirmaram a infecção, pela segunda vez.
Segundo o Guardian, também na China houve relatos de pessoas que foram infectadas uma segunda vez pelo novo coronavírus.
Depois destes casos surgiu a dúvida e o receio de se poder ser infectado duas vezes, mesmo depois de já estar recuperado.
Pessoas infectadas tornam-se imunes?
Embora a maioria das pessoas consiga desenvolver imunidade para a maioria dos vírus depois de serem infetadas uma vez, ainda não é claro se o mesmo acontece com SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19.
O problema é que o número de pessoas que tiveram positivo, pela segunda vez, nos exames à Covid-19, é pequeno e insuficiente para se poder tirar conclusões. Além disso, não se tem a certeza se esses casos envolveram uma nova infecção ou uma recaída da primeira infecção.
Um estudo realizado recentemente na China, onde eram analisados macacos infectados com o novo coronavírus e que desenvolveram anticorpos contra o vírus, descobriu que, ao serem expostos pela segunda vez, os macacos estavam imunes e não eram de novo infectados.
“Considerando os testes serológico, exames radiológicos e patológicos, os macacos com reexposição não apresentaram reincidência de Covid-19”, lê-se no estudo.
Os imunologistas consideram, no entanto, que são necessárias mais investigações.
Não se sabe se a imunidade a este novo vírus dura toda a vida, e segundo os dados conhecidos sobre outros coronavírus, os anticorpos apenas dão imunidade temporária, geralmente durando cerca de três meses.
Este estudo mostra que os “macacos infectados com SARS-CoV-2, o vírus que causa o COVID-19, estão protegidos contra os sintomas quando infectados pela segunda vez um mês depois”, explica John Taylor, professor sênior de virologia do Universidade de Auckland.
“Para além de não haver sintomas após a segunda exposição, os investigadores não conseguiram detectar nenhum vírus nos animais reinfectados“.
A questão é que ainda não há dados suficientes para provar que o organismo humano cria imunidade, nem pelo contrário, que fica suscetivel a um reinfecção.
Coronavírus desafia imunologia
Quando há infecção viral, o corpo do paciente desenvolve anticorpos muito específicos para o vírus que o infetou. O doente recupera da infeção e deixa de sentir sintoma quando já tem anticorpos suficientes para a combater.
Depois de recuperado da infeção, esses anticorpos não desaparecem do organismo e, portanto, tornam o paciente imune a esse vírus. Assim, quando a pessoa é exposta novamente ao mesmo patógeno, o sistema imunitário responde imediatamente, evitando uma nova infeção.
A imunidade a determinado agente patogênico pode durar a vida toda. Mas não a todos, como é o caso de outros coronavírus que provocam a conhecida “gripe”.
A verdade é que pouco se sabe ainda sobre este novo coronavírus, mas os especialistas acreditam que há duas formas de combater a pandemia: o desenvolvimento de uma vacina eficaz ou a população desenvolver uma “imunidade natural” quando é contaminada.
A capacidade de o ser humano se tornar imune à Covid-19, após a primeira infecção, é um tema que ainda terá algum debate e, por agora, continuará a suscitar dúvidas.






