A Saga dos Sujeitos que Quiseram Economizar e Compraram um “Mico”

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 12/03/2026
Senta que lá vem história. Meu nome é Nilson Apollo Belmiro Santos, e o número do meu CRECI ali em cima não é enfeite, não. É a prova de que, nessa selva de pedra que é o mercado imobiliário, ter um guia não é luxo, é questão de sobrevivência. Ou, como eu costumo dizer pros meus clientes, é a diferença entre comprar a casa dos sonhos e comprar um sonho que vira um pesadelo sobre quatro paredes.
E olha, se tem uma coisa que me tira do sério é ver alguém tentando “economizar” o valor do meu trabalho. Já ouvi de tudo: “Nilson, pra que corretor? O anúncio tá na internet, é só ligar e comprar”. Pois bem. Deixa eu contar umas historinhas pra vocês verem a encrenca que é ser o próprio corretor de si mesmo.
Conheço um casal, gente finíssima, que resolveu comprar um apartamento direto com o proprietário. “Ah, Apollo (é como sou chamado), o homem é um amor, super gente boa, até parcelou a entrada sem juros! Economizamos uma nota!”, me disseram, eufóricos. Pois bem. Seis meses depois, estavam me ligando. Descobriram que o “amor de proprietário” tinha dois olhos… mas não tinha a escritura do imóvel. O apartamento era do pai dele, que tinha falecido, e o inventário? Nem na lista de espera do Fórum estava. Resultado: perderam o dinheiro da entrada, o tempo e a paciência. O “gente boa” sumiu e eles ficaram com uma dor de cabeça que nem o melhor anti-inflamatório resolve.
Outro caso que me marcou foi o do rapaz que viu um terrenão num site de classificados. Preço abaixo da tabela, um achado! Foi, negociou, apertou as mãos, pagou o sinal. Quando foi fazer a visita técnica comigo, semanas depois, pra gente começar a projetar a casa dele, quase tive um treco. O “terreno” era, na verdade, uma área de preservação permanente, parte dele era uma voçoroca disfarçada de mato e, pra completar, a prefeitura tinha um projeto de alargamento de avenida que passaria bem no meio da futura sala de estar. O vendedor? Já tinha colocado o dinheiro no bolso e sumido no mapa. O rapaz ficou com um papel sem valor e uma dívida.
E não para por aí. Teve a senhora que alugou um ponto comercial “lindíssimo” por conta própria. O antigo inquilino era uma loja de tintas, mas ela, confiante, achou que uma boa faxina resolvia. Só esqueceu de perguntar pro síndico, pro bombeiro, pro vizinho do lado. Quando foi reformar, descobriu que a fiação do prédio era um fio dental e não aguentava a corrente das máquinas dela. Teve que refazer o sistema elétrico inteiro, com custo que pagaria uma década da minha comissão. E o pior: o proprietário sumiu, claro.
A senhora que alugou o ponto comercial, coitada, quase teve um treco quando a luz apagou no primeiro dia de funcionamento. O pior nem foi o prejuízo com a reforma elétrica, foi a vergonha na frente dos primeiros clientes, que tiveram que ser atendidos no escuro, com lanternas de celular. Enquanto isso, eu, que poderia ter evitado tudo com uma simples visita técnica e uma conversa com o síndico, estava em casa, vendo a novela, sem nem saber que alguém estava passando por esse sufoco por tentar fazer algo que, na visão deles, eu cobraria caro para fazer. O engraçado é que nunca me chamaram para perguntar quanto custava o serviço, só assumiram que não valia a pena.
E o mais triste de tudo é ver que essas histórias se repetem todo santo dia, como se fosse uma maldição do mercado imobiliário. O sujeito acha que está sendo esperto, que descobriu o atalho para a casa própria, e no fim das contas acaba num labirinto de problemas jurídicos e estruturais que poderiam ser evitados com um simples CRECI e um bom contrato de assessoria imobiliária. Eu não estou aqui para vender paredes, estou aqui para vender segurança, para garantir que aquele “lar doce lar” não vire um “inferno astral” com ações na justiça, dívidas impagáveis e noites em claro.
Agora me diz: o corretor de imóveis é só aquele sujeito que “abre a porta” pra você ver o imóvel? Não, minha gente. A gente é a lupa que enxerga as letras miúdas do contrato, o detetive que investiga a documentação, o engenheiro de olho na infiltração que o vendedor pintou por cima, o advogado que sabe que “usucapião” não é uma planta africana. A gente é o cara que pergunta pro vizinho se o prédio dá problema na chuva, que consulta a prefeitura, que sabe que a área “privativa” do anúncio pode ser, na verdade, a área comum que o vendedor anexou ilegalmente.
Então, da próxima vez que você achar que meu CRECI é só um número bonito na parede, lembre-se do casal do apartamento sem escritura, do rapaz do terreno na voçoroca e da senhora da loja sem luz. Lembre-se que, no final das contas, a economia que você pensou em fazer pode ser o começo de um prejuízo que vai durar uma vida inteira. Me pague um café e me conte o que você procura. A gente conversa, e eu te mostro que, no fim, a minha comissão é o menor dos seus problemas. É o preço da paz de espírito. E isso, minha gente, não tem preço.
Creci – LEI Nº 6.530, DE 12 DE MAIO DE 1978.

Nilson Apollo Belmiro Santos Nascido em Belo Horizonte capital de Minas Gerais, ele divide seu tempo entre sua cidade natal, e Vila Velha no Espirito Santo, onde desempenha atividades laborativas na comunicação e comerciais, atuando no mercado imobiliário em todo o estado do Espirito Santo (CRECI – ES 15 673F), com parcerias consolidadas em Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e Goiás. Além dos assuntos abordados sobre o mercado imobiliário, seus textos semanais no Jornal Clarín Brasil, dentre outros, e atuações exploram os bastidores da diplomacia internacional, os conflitos narrativos da mídia e os impactos econômicos de multipolaridades.
Contato: 27 98889 9342 – 31 98943 5517
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