A alegação da jornalista de que estava sob efeito de álcool e medicação controlada não a livrou da prisão

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 20/12/2025
A prisão em flagrante da jornalista Mônica da Mota Soares, ex-editora do Jornal da Globo e com passagem pelo Jornal Nacional, por injúria racial durante uma festa de formatura no Rio de Janeiro, vai além de um caso policial isolado. Ele expõe publicamente o risco representado por profissionais que, ocupando posições centrais na formação de opinião no país, podem cultivar e reproduzir visões preconceituosas, afetando indiretamente narrativas e conteúdos consumidos por milhões de brasileiros.
O episódio ocorreu na noite desta sexta-feira (19), em um colégio particular no bairro da Cidade Nova. Após discussão por não poder usar um banheiro fechado, Mônica dirigiu a palavra “macaco” a um funcionário do local. A conduta foi registrada como injúria racial, crime inafiançável e imprescritível.
Da Redação ao Flagrante: A Queda da Máscara
A alegação da jornalista de que estava sob efeito de álcool e medicação controlada não a livrou da prisão. A justificativa, comum em casos do tipo, é vista por especialistas como uma tentativa de desvinculação da responsabilidade sobre o ato, que revela um preconceito estrutural.
Mônica Soares integrou por anos a equipe de um dos principais telejornais do país, o Jornal da Globo, responsável por moldar a compreensão de fatos para uma vasta audiência. Sua posição exigia isenção, rigor ético e sensibilidade social. A prisão por racismo levanta uma questão perturbadora: até que ponto vieses pessoais velados podem, mesmo que subliminarmente, influenciar a curadoria e o tratamento de pautas sobre desigualdade, violência e direitos humanos?

O Peso da Palavra e o Danos da Influência enviesada
Comunicadores em posições de destaque não são apenas repórteres; são gatekeepers da informação. Quando carregam preconceitos raciais, mesmo não explícitos no ar, podem:
- Naturalizar estereótipos: Ao escolher fontes, enquadramentos e linguagem, podem reforçar visões distorcidas sobre populações periféricas e negras.
- Opacizar o racismo: Minimizar a cobertura sobre violência racial ou tratar casos como o de racismo recreativo como “isolados”.
- Erosionar a confiança: A descoberta pública de racismo em uma figura midiática corrói a credibilidade da imprensa perante parcelas da população que já se veem marginalizadas na representação noticiosa.
“Este caso é um alerta severo para as redações”, comenta a pesquisadora em mídia e racismo, Dra. Luana Silva. “Mostra a necessidade urgente de não apenas diversificar os quadros, mas de promover formação antirracista contínua e mecanismos de checagem de vieses, especialmente entre editores e ocupantes de cargos de poder narrativo.”
Futuro Judicial e Profissional
A Globo informou que Mônica não integra mais seu quadro de funcionários, seu nome saiu dos créditos em dezembro. O caso agora segue para a Justiça, onde responderá pelo crime de injúria racial.
Para além das consequências legais individuais, o incidente serve como um espelho para a sociedade e para o jornalismo brasileiro. Ele explicita que o combate ao racismo requer mais do que discursos institucionais: exige vigilância ética constante e a percepção de que o preconceito, quando alojado em mentes que formam opinião, causa danos amplificados, perpetuando desigualades tanto nas telas quanto nas ruas. A credibilidade da imprensa, fundamento da democracia, depende diretamente de sua capacidade de enfrentar esse mal também dentro de suas próprias redações.







