Aceitar a “lei do mais forte” deixaria o continente vassalizado por Washington, afirmou o presidente francês.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 22/01/2026
O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu às nações europeias que não aceitem uma nova ordem global regida por aqueles que detêm o “maior poder”, em meio às crescentes tensões com o presidente dos EUA, Donald Trump, devido à sua tentativa de anexar a Groenlândia.
Trump alertou que tomará o território ultramarino dinamarquês “do jeito fácil” ou “do jeito difícil”. Na semana passada, ele anunciou tarifas de 10% sobre oito países europeus da OTAN, incluindo a França, por se oporem à proposta, e ameaçou aumentar posteriormente as taxas para 25% caso a Groenlândia não seja vendida aos EUA.
Em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na terça-feira, Macron alertou os países europeus contra a aceitação da “lei do mais forte” e a submissão à “vassalagem”.
“Não aceitemos uma ordem global que será decidida por aqueles que afirmam ter a voz mais forte ou o maior poder”, disse ele, dirigindo-se à plateia em inglês.
“Não vamos perder tempo com ideias malucas. Não vamos abrir a caixa de Pandora.”
Macron acusou os EUA de minarem os interesses comerciais das nações europeias com exigências maximalistas e tarifas que visam abertamente enfraquecê-las e subordiná-las. A Europa precisa proteger seus setores químico e automotivo, que estão “sendo literalmente destruídos”, afirmou.
A UE “não deve hesitar” em acionar seu Instrumento Anticoerção, até então não utilizado, em resposta ao aumento das tarifas de Trump sobre a Groenlândia, afirmou ele. A medida visa restringir o comércio e os investimentos, além de potencialmente bloquear o acesso ao mercado único da UE em caso de guerra comercial.
A UE também está considerando impor um pacote de tarifas retaliatórias de € 93 bilhões (US$ 109 bilhões) sobre as importações americanas, elaborado no ano passado durante o impasse comercial do bloco com Washington. As medidas foram suspensas após um acordo comercial bilateral, mas podem entrar em vigor em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses, informou a Reuters no início desta semana, citando um diplomata.
Os líderes da UE devem se reunir na quinta-feira para discutir opções de retaliação.







