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Minha Real Preocupação: O Brasil que se desmancha no Ar – Por Nilson Apollo Belmiro Santos

Onde foram parar as culturas familiares que prezavam pelo legado? Onde está o impulso para que os filhos superem os pais?

Nilson Apollo Belmiro Santos

Meus caros, não se trata de um moralismo antiquado, daqueles que saudosistas apregoam. É algo mais profundo e, permitam-me a franqueza, mais assustador. É a constatação silenciosa de que assistimos à lenta dissolução do tecido que nos sustenta como nação funcional. E o paradoxo é cruel: estamos assentados sobre uma das maiores riquezas do planeta, mas parece que falta alicerce à casa.

Somos os guardiões de um patrimônio incalculável, sob nossos pés e em nossa natureza. No entanto, a pergunta que não cala é: quem somos, ou seremos, em um futuro bem próximo, verdadeiramente, para exercermos a guarda e desfrute dessas riquezas? E mais: quem estará apto a defendê-las, protegê-las e honrá-las, em caso de de real perigo? Porque não se trata somente de usufruir, mas de sustentar e proteger também. E aqui, o alerta se acende: as Forças Armadas, as instituições da República, os pilares da nossa soberania, pelo que vemos, estão sendo comprometidos por uma cultura de frouxidão, descompromisso e superficialidade.

Observo, com angústia crescente, que nossa união como povo parece se restringir aos grandes espetáculos, Carnaval, Copa do Mundo, e aos núcleos regionais em torno de nossos times do coração. Faço o meu “mea culpa”, pois, sou um cruzeirense apaixonado! Momentos efêmeros de euforia que, passada a festa, não se convertem em projetos sólidos para o futuro. E qual o futuro que preparamos? Uma base educacional frágil, que produz milhões de analfabetos funcionais, incapazes de discernir informação de manipulação, “fake news” de realidade, e com uma autoimagem distorcida, onde o pobre se vê como rentista e o herdeiro como revolucionário, porém, o prieiro sem entender como o sistema do qual ele não faz parte funciona, enquanto o segundo, em hipótese nenhuma abriria mão de suas regalias, herdadas, em prol de uma equidade social, mas, ambos, pela sensação de pertencimento, tremulam freneticamente bandeiras alheias, e sustentam discurso dissonantes, de fundo cognitivo, ou amoral mesmo.

Somos, inegavelmente, um povo influenciável. Caímos no canto de sereia de figuras midiáticas e líderes espirituais de fachada, que sustentam contos de fadas, fábulas e anedotas em púlpitos de igreja, sem que preguem, por exemplo, o “Sermão da Montanha”, que desmontaria a qualquer sonho de fascismo. Em meio a isso tudo, vemos também, em pleno século XXI, a prática doo que julgo ser também muito grave: permitimos que oligarquias familiares se eternizem no poder, na regiões mais carentes do Brasil, por exemplo; os Sarneys, os Magalhães, os Calheiros, os Barbalhos, os Caiados, os Arraes, e para piorar, pois, nem etiqueta eles têm, os emergentes Bolsonaros, cada um desse núcleo, arrastando séquitos aos milhares, ocupando cargos de confianças “hereditários” todos disputando espaço em um tabuleiro onde o mérito é irrelevante. Há pouco tempo, realizando uma pesquisa geneálógica de uma grande dama da sociedade mineira, a Baronesa de Pompéu, senhora Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco nascida em 1752, descobri descendentes da mesma, que vão desde o famoso Governador Valadares (Benedito Valadares), até a diversos funcionários públicos federais que ocupam cargos em Brasilia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, até os dias de hoje. E o ex-procurador da república, que ostentava somente o sobrenome francês, e omitia sua fidalguia mineira desde os tempos do império, quando um ascendente direto ocupava a presidência da província de Minas Gerais. Entre as elites, essa prática continua, o que se vê é a manutenção de certos núcleos familiares e seus asseclas orbitando esses núcleos, garantindo suas porções da fatia do bolo, muitos com baixa cognição, sem preparo técnico, intelectual, e sem estofo moral para dirigirem ou cuidarem das coisas e interesses públicos. E isso não é apenas um problema político, é uma ameaça direta à estrutura institucional do país.

Prestem atenção no que estou explicitando: nós não estamos formando líderes de fato, estamos fabricando personagens. A política virou palco de ilusionistas, de continuístas que jamais trabalharam, que não têm qualquer êxito além das curtidas e visualizações nas atuais redes sociais, que hoje servem de baliza eleitoral. Outra questão pessoal que quero expor; Eu tenho um amigo que assessora um dos deputados mais visíveis do turbulento cenário atual. No início da carreira desse político, perguntei ao amigo: “Por que você está se dedicando a esse postulante, porém, neófito e desconhecido candidato?” A resposta veio com outra pergunta: “Você não segue as redes sociais dele? Ele movimenta a juventude!” E eu pensando: “Mas o que ele fez na vida?” Nada. E nada continua em seu portfólio, que não seja, continuar a movimentar os engajamentos de suas redes socias, mesmo agora como deputado federal. E é esse tipo de figura que ocupa espaços estratégicos, inclusive em comissões que influenciam decisões sobre segurança nacional, defesa, orçamento público e diretrizes legislativas da nação. Isso é muito perigoso!

No âmbito privado, a crise é igualmente grave. Onde foram parar as culturas familiares que prezavam pelo legado? Onde está o impulso para que os filhos superem os pais? Hoje, muitos jovens nem sequer almejam honrar um nome ou construir algo duradouro. Sequer conhecem ou ouviram falar dos feitos de seus bisavós. Lembro-me de um episódio revelador que vivenciei meses atrás: ao negociar com um empresário do ramo alimentar, no afã de repassar o legado a um herdeiro, o nobre senhor me direcionou a seu filho, o qual ele precisou chamar em casa (que era ao lado do comércio), e o garoto, de 40 anos, que ainda vivia com os pais, cuja vida parecia se resumir ao quarto e a jogos online. Sem aparente ambição, sem aparentes relacionamentos afetivos, sem aparente interesse pelo negócio da família, veio a se mostrar, um verdadeiro talento desperdiçado, pois, tratou de acatar o que propus, e sem nenhuma cerimônia retornou ao seu mundo “online”. Esse é um dos sintomas de uma geração à deriva, e que, em muitos casos, é a mesma geração que ingressa em instituições públicas, inclusive nas Forças Armadas, sem vocação, sem disciplina, sem fibra – os “concurseiros” que se esforçam um pouquinho, pela vida mansa da estabilidade.

Vamos complicar um pouco mais, e este descompasso, infelizmente é alimentado por um sistema legal caótico, onde leis são aprovadas por medo de perder votos, não por visão de país, que impdem qualquer reprimenda ou ajuste por parte dos pais, que agora se tornaram “toxicos”. O resultado? O esfarelamento social. Estamos produzindo gerações impensantes, enquanto talentos potenciais, advogados, artífices, engenheiros, técnicos, comunicadores, são perdidos para o ócio, para o banditismo ou para a ilusão de enriquecer na internet com pseudo-investimentos. O comércio e a indústria agonizam por falta de mão de obra qualificada, enquanto os jovens sonham com fama virtual, tênis importado e “o lanche”, satisfeitos com a masturbação mental das ilusórias comunidades virtuais ou palestras de “coachs” moderninhos.

Até mesmo a seriedade profissional, outrora um valor, parece ter se perdido. A disciplina exigida em setores estratégicos desapareceu. Basta olhar para a linguagem, postura, apresentação pessoal e raciocínio de muitos dos nossos “notáveis”, políticos, professores, empresários, comunicadores. A sociedade parece estar se “liquidificando”. E isso não é exclusividade nossa: os EUA, nossos, até então” tutores, têm grande parcela de culpa, ao nos “deseducarem” por meio de sua indústria de entretenimento, replicada em nossos programas de auditório, novelas e filmes de péssima qualidade estética e intelectual.

Nem me aventuro a adentrar no pantanal religioso, de onde também sou oriundo, pois é assunto para uma análise à parte, repleta de sombras, que venho estudando desde a infância.

A questão central, meus amigos, não é ser conservador ou progressista. É sobre funcionalidade. É sobre sobrevivência institucional. É o temor real de que, ao negligenciarmos os pilares que sustentam uma sociedade, educação, ética, ambição legítima, seriedade, estamos cavando o próprio buraco onde enterraremos a promessa de um Brasil forte, soberano e funcional. O risco não é deixarmos de ser moralistas, mas deixarmos de ser, simplesmente. E com isso, perdremos a chance de formarmos homens e mulheres duros, resistentes, comprometidos com a defesa da República e da ordem constitucional.

O alerta está dado.

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