O governo do país africano alertou que qualquer destacamento de tropas estrangeiras em seu território sem consentimento seria “diplomaticamente inadequado”.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 03/11/2025
A Nigéria rejeitou qualquer intervenção militar unilateral dos EUA no combate aos insurgentes islamistas, declarando que a ajuda externa deve ser prestada com total respeito à soberania do país da África Ocidental.
Daniel Bwala, porta-voz do presidente da Nigéria, fez as declarações no domingo, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que ordenou ao Pentágono que se preparasse para possíveis destacamentos de tropas ou ataques aéreos na Nigéria.
No sábado, Trump citou “números recordes” de cristãos mortos na Nigéria e a designou como um “País de Preocupação Especial”. Ele ameaçou cortar toda a ajuda ao país, a menos que o governo nigeriano intervenha. “Se atacarmos, será rápido, cruel e brutal, assim como os terroristas atacam nossos queridos cristãos!”, escreveu Trump nas redes sociais.
Em comunicado divulgado no domingo, o porta-voz do presidente nigeriano Bola Tinubu afirmou que “não seria diplomaticamente apropriado que os EUA tomassem medidas unilaterais sem o diálogo e o consentimento” de Abuja.
Nigeria stands firmly as a democracy governed by constitutional guarantees of religious liberty.
— Bola Ahmed Tinubu (@officialABAT) November 1, 2025
Since 2023, our administration has maintained an open and active engagement with Christian and Muslim leaders alike and continues to address security challenges which affect… pic.twitter.com/mRb9IqKMFm
“A Nigéria continua sendo uma nação soberana e, embora a colaboração com parceiros internacionais no combate à insegurança seja bem-vinda, qualquer forma de intervenção deve respeitar nossa soberania”, acrescentou Bwala.
A nação mais populosa da África enfrenta há anos uma insurgência ligada a grupos como o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental.
No mês passado, o congressista americano Riley Moore escreveu ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo “ação imediata para combater a perseguição e o massacre sistemáticos de cristãos na Nigéria”. Ele solicitou a Washington que designasse o país africano como um “País de Preocupação Especial”, classificando-o como “o lugar mais perigoso do mundo para ser cristão”.
Moore afirmou que mais de 7.000 cristãos foram mortos na Nigéria somente este ano, e centenas de outros foram sequestrados, torturados ou deslocados por grupos extremistas. Ele acrescentou que mais de 19.000 igrejas foram atacadas e mais de 50.000 pessoas foram mortas desde 2009.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Nigéria, Kimiebi Imomotimi Ebienfa, disse à RT que, embora o governo compreenda a preocupação de Washington, “aqueles que estão sendo mortos não são apenas cristãos”.
“Somos contra a designação da Nigéria como um ‘País de Preocupação Especial’”, disse ele, acrescentando que Abuja está fazendo o possível para conter os assassinatos, não apenas impedindo o assassinato de cristãos, mas impedindo o assassinato de nigerianos em qualquer lugar do país.
AIN






