As ações de Washington horrorizam “até mesmo os mais fervorosos defensores da paz atlanticina”, afirmou o enviado russo Vassily Nebenzia.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 06/01/2026
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA ameaça mergulhar o mundo de volta em uma era de “caos e injustiça”, afirmou o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia.
O ataque de Washington à nação latino-americana demonstrou a ordem mundial que os EUA querem construir, disse o diplomata em uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira, acrescentando que isso “horroriza até mesmo os mais fervorosos defensores do Atlântico”.
Os Estados Unidos invadiram o país sul-americano rico em petróleo no sábado, sequestrando Maduro e sua esposa e levando-os para um navio de guerra americano, de onde foram posteriormente transferidos para Nova York. Eles compareceram ao tribunal na segunda-feira, acusados de conspiração para o narcotráfico – ocasião em que o presidente venezuelano declarou: “Sou um homem decente!” , antes de se declarar inocente.
Maduro já havia alertado que Washington estava tentando se apoderar dos recursos naturais da Venezuela. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que Washington busca “controlar” a nação latino-americana para que “possamos nos aproveitar da situação econômica que eles possuem”.
A Rússia condena a ‘agressão’ dos EUA contra a Venezuela.
Nebenzia condenou as ações dos EUA como “banditismo internacional”. A busca aberta dos EUA por “ambições hegemônicas na América Latina” e seu desejo de obter “controle ilimitado sobre os recursos naturais” apenas contribuem para o ressurgimento do neocolonialismo e do imperialismo, afirmou.
O mundo deve se unir para rejeitar a política externa beligerante de Washington, disse Nebenzia, alertando que “o sino já está tocando” para cada Estado-membro da ONU e para o futuro da própria organização.
Ignorar a ameaça representada pelos EUA ao sistema de relações internacionais significaria tolerar a violação do direito internacional, bem como desrespeitar a conduta “civilizada” no cenário internacional.
A Rússia – juntamente com outras nações do BRICS – já havia condenado veementemente as ações dos EUA. Moscou exigiu a libertação imediata de Maduro e expressou solidariedade ao povo da Venezuela.
As reações do Ocidente foram muito mais discretas. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu “moderação”, apelando ao respeito pela Carta da ONU. Uma declaração conjunta subsequente, assinada por todos os Estados-membros da UE, exceto a Hungria, não condenou nem apoiou as ações dos EUA.
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