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O Xadrez Global e o Brasil no Centro do Tabuleiro – Por Nilson Apollo Belmiro Santos

Fica muito claro, que o Brasil, sob a liderança de Lula, não quer ser peão

O Xadrez Global e o Brasil no Centro do Tabuleiro

Nilson Apollo Belmiro Santos

Enquanto o mundo gira em torno de crises, guerras e disputas comerciais, um jogo silencioso, mas, decisivo, se desenrola nos bastidores da geopolítica. É o xadrez global, onde cada movimento revela intenções profundas e cada peça, por menor que pareça, pode mudar o rumo da partida. No centro desse tabuleiro, o BRICS deixa de ser coadjuvante e assume o papel de protagonista. E o Brasil, entre tensões internas e escolhas estratégicas, está mais envolvido do que nunca.

O bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e agora ampliado, não é mais apenas um agrupamento econômico. É um projeto de reordenação mundial. Com o Novo Banco de Desenvolvimento e propostas de comércio fora da órbita do dólar, o BRICS desafia diretamente a hegemonia das instituições ocidentais, como o FMI e o Banco Mundial. Para Washington, isso é mais que incômodo: é uma ameaça à arquitetura que sustentou sua liderança por décadas.

A resposta americana vem em várias frentes. A mais visível é a mídia internacional, onde narrativas são cuidadosamente moldadas para glorificar aliados e marginalizar dissidentes. A outra é mais sutil: diplomacia de pressão, inteligência estratégica e acordos bilaterais que tentam manter países-chave sob influência. É nesse cenário que o Brasil se torna peça-chave, e infelizmente, também um campo de batalha.

Durante o governo do ex-presidnete, e agora condenado da justiça, Jair Bolsonaro, o alinhamento automático com os Estados Unidos foi evidente, com direito a explícitas declarações de amor e continências diante da bandeira do país do norte. Um escárnio para o Brasil. O BRICS foi minimizado, a China, a maior parceira comercial efetiva do Brasil, tratada como ameaça, e o país parecia renunciar ao papel de potência regional, na descabida tentativa de agradar aos EUA. Para Washington, foi um alívio: um gigante sul-americano neutralizado dentro de um bloco que deveria confrontá-lo.

Mas o retorno de Lula muda o jogo. Fundador do BRICS em seu primeiro mandato, o presidente Lula voltou com a missão de reposicionar o Brasil como mediador global e defensor da multipolaridade. Sua política externa incomoda os estrategistas americanos: aproxima-se da China e da Rússia, questiona a supremacia do dólar e defende um mundo onde o Sul Global tenha voz. Fica muito claro, que o Brasil, sob a liderança de Lula, não quer ser peão, quer ser torre, e ocupar seu légitio lugar neste tabuleiro.

Sainda da esfera ocidental, em meio as muitas confusões “compradas” e vendidas pelos EUA, encontra-se também, o turbulento país de Israel jogando com pragmatismo. Dependente da ajuda militar dos EUA, mantendo relações tecnológicas com a China e diálogando cautelosamente com a Rússia. Sua mídia, moldada pela narrativa da segurança nacional, geralmente se alinha a Washington, mas preserva nuances. Israel não desafia abertamente, mas tampouco se submete por completo, e vez ou outra causa muitos problemas, e também os sofre, a julgar pela frustrada campanha contra o Irã, quando subestimou o poderio persa e atacou o país dos Aiatolás, sofrendo um retaliação que o arriscaria do mapa, caso os EUA não intecedessem por ele, mostrando ao mundo um teatro pirotécnico, sem querer que o mundo visse seu pupílo levando uma verdadeira “surra” de seu inimigo regional, o milenar Irã, que fez brotar milhares de mísseis em seu solo, cujo alvo era o minúsculo Israel a mais de mil quilômetros de distância, que pagou caro por despertar-lhes a fúria.

Neste artigo nem abordamos as situações de Venezuela, Taiwan e Ucrânia, pois, teríamos que escrever na verdade um livro, mas, antes de encerrar, lembramos que, há também o Nepal. País pequeno, discreto, mas revelador. Encravado entre China e Índia, tornou-se nos últimos dias, palco de uma disputa barulhente e destrutiva por influência. A China investe em infraestrutura via Belt and Road; EUA e Índia tentam conter o avanço chinês, mas, no meio, está o Nepal. O Nepal mostra que essa nova Guerra Fria não se trava apenas nas capitais, ela acontece onde bancos oferecem empréstimos, onde mídias são financiadas por lados opostos, onde decisões locais têm impacto global.

Por fim das contas, o mundo vive uma bifurcação: de um lado, a atual (des) ordem estabelecida por Washington; do outro, a ordem emergente do BRICS. O Brasil, com sua guerra política interna entre dois projetos de mundo, é talvez o exemplo mais vívido dessa divisão, essa semana vimos isso em sua forma mais intensa, pois, um ex-presidente e seu séquito fora condenada a mais de vinte anos de prisão por motivo de tentativa de um golpe de estado . Ainda assim, a sombra de Trump representa as ameaças da América que resiste, enquanto as palavras e imagem de Lula, representa o bloco que avança.

E o tabuleiro segue assim, em movimento. Cada peça importa. Cada jogada conta. E o Brasil, queira ou não, está tambémno centro da partida.

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