Mulher com raros atributos de beleza, nascida em uma família com fartos recursos financeiros, não encontrava sintonia nem afinidade com os padrões vivenciados à época e que lhes eram impostos

Jornal Clarín Brasil JCB News – Brasil 08/08/23
Desde o início dos tempos, a imagem da mulher sempre foi desfigurada, massacrada, apresentada como um ser inferior, tendo como sua primeira vítima Eva que, embora existam outras versões sobre sua criação, foi a que contribuiu para o surgimento do suposto Pecado Original, segundo o mito bíblico.
Isso já é uma manifesta e maligna intenção de aniquilar o Sagrado Feminino que, na sua origem, deveria ser complementar ao Divino Masculino, como energias primordiais da criação da Fonte Divina, que no Oriente denomina-se como Yin (feminina) e Yang (masculina) e, para Carl Jung, como “Anima” e “Animus”.
A energia feminina habita em todo o Universo e nos homens também. É representada pelo amor, generosidade, sensibilidade, aceitação, leveza, paciência, intuição, empatia, cooperatividade; e, a masculina, força ativa, competividade, lógica, pensamento lógico e racional, a precisão e a capacidade de tomar iniciativa, sendo certo que é uma dualidade, polaridade, como a luz/sombra, calor/frio, dia/noite, sol/lua.
Todos nós nascemos com ambas as energias, com a prevalência de uma ou outra, ou seja, no homem a masculina, na mulher a feminina. Alguns, ainda, nascem com a oposta, a saber: o homem com a prevalência da energia feminina e a mulher com a masculina, sendo fundamental uma interação harmônica entre elas para o equilíbrio energético do Ser e do Universo, para que, assim, possa ocorrer o fim da competividade e o domínio do que se julga superior, mais forte e mais competente.
Com a predominância, no homem, da exacerbação da polaridade masculina, desde a época das cavernas, quando a mulher ficava cuidando dos filhos e da alimentação, enquanto aquele partia para a caça e para a luta em defesa de seu território, a polaridade feminina foi fragilizando-se, submetendo-se e sendo obediente àquele que considerava o mais forte e superior. Isso foi institucionalizado pelo patriarcado, através de vários éditos religiosos que, interpretando a Bíblia de forma equivocada, passou a considerar as mulheres, com exceção de Maria, mãe de Jesus, apenas como criaturas sexuais, representando a luxúria, a promiscuidade, como uma forma de deturpar o Divino Feminino.
Como o assunto dessa dualidade é extremamente vasto e, ainda objeto de estudos e pesquisas, não seria nossa intenção esgotar o tema. Importa ressaltar que é imprescindível a harmonização entre a consciência, que é característica da energia masculina, e a manifestação, a criatividade, o belo da energia feminina, para que ambas trabalhem juntas para uma vida mais saudável.
Temos, na História Universal, vários exemplos de mulheres que, indefesas e com o imaginário masculino vendo-as como seres inferiores e sem nenhuma significação, foram imoladas em nome de inomináveis preconceitos e crenças infames (defendidos por esse patriarcado que imperava na época), que foram consideradas bruxas pelo povo, servindo de bode expiatório para pragas, pestes, catástrofes.
É importante frisar que inúmeras mulheres, por sua coragem e determinação, conseguiram seu espaço na sociedade. Um exemplo clássico é Joana d’Arc que, comandando um exército de homens obteve conquistas e vitórias, mas depois foi queimada viva, como herege, por uma corte católica.
Assim com Joana d’Arc, existem muitas outras mulheres que, ultrapassando esse denso muro de execração, lograram êxito em suas conquistas, mesmo que, posteriormente, dizimadas pelo mesmo sentimento de repulsão. Mas, o espaço aqui não seria suficiente para nominá-las sem cometer alguma injustiça por omissão.
Contudo, a que sempre me chamou a atenção foi Maria Madalena, tida como uma prostituta e mulher de costumes pecaminosos.
Estudando um pouco de sua saga, aprendi que a verdade era outra, contrária à que sempre nos ensinaram…
Mulher com raros atributos de beleza, nascida em uma família com fartos recursos financeiros, não encontrava sintonia nem afinidade com os padrões vivenciados à época e que lhes eram impostos. Nutria sentimentos que a levavam a sentir desejos de mudanças em seu eu interior e superior.
Quando ouviu relatos sobre um homem diferente que, além de curar as pessoas, espalhava mensagens de amor incondicional ao próximo, solidariedade e humanidade, seu coração sofreu um impacto, um júbilo intenso, pois tudo aquilo estava em sintonia com os anseios de seu espírito.
Contrariando a família, resolveu ir a busca desse ser iluminado, que se chamava Jesus, e a Ele se juntou, acompanhando-o em suas caminhadas e peregrinações. Os discípulos do Mestre não aprovavam sua presença, pois não era normal nem aceitável uma mulher, “ser inferior”, integrar um grupo masculino.
No entanto, Jesus a aceitou como discípula, principalmente por sua lealdade, sensibilidade e inteligência e, assim, passou a tê-la como sua melhor parceira e companheira, com ela compartilhando conhecimentos e ensinamentos.
Maria Madalena já trazia de modo harmônico, em seu eu, ambas as energias: a feminina e a masculina. Com serenidade, leveza, amor, determinação, consciência e força interior, essências da dualidade criada pela Fonte Divina, integrou-se ao grupo de apóstolos, mesmo com a recusa de aceitação por parte de muitos deles. Assim, passou a ser a melhor discípula de Jesus, vindo, tempos depois, em posição superior aos demais discípulos.
Eis que com sua inteligência e cultura, conseguia assimilar muitos dos ensinamentos de Jesus, que lhe repassava até os secretos. Após a crucificação, veio a substituir Pedro na liderança do grupo e, a ela Jesus apareceu primeiro após sua ressureição.
Essas informações constam em um texto que ficou conhecido como Evangelho de Maria Madalena, texto gnóstico encontrado no “Codex Akhmin”, adquirido pelo Dr. Carl Rheinhardt, na cidade do Cairo, em 1896, e publicado apenas em 1955, após seu surgimento na Biblioteca de Nag Hammadi. Acresce salientar que nesse Evangelho é mencionada a tristeza dos apóstolos, principalmente de Pedro, que indagou como poderiam continuar pregando o Evangelho do Filho do Homem aos gentios? Se eles não O pouparam, o que fariam com eles? Ao que Madalena respondeu: “Não vos lamentais nem sofrais, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens”. Depois desse diálogo, passaram a aceitá-la e a manter conversação com ela, que lhes passava os ensinamentos que não entendiam, continuando a pregar o Evangelho em todas as cidades que percorriam.
Com a intenção de estigmatizar o Divino Feminino, que já nasceu com ela e permaneceu durante todo o seu caminhar junto a Jesus e após a sua crucificação, no ano de 591 d.C. o Papa Gregório definiu-a como prostituta e adúltera, em sermão na Basílica de São Clemente, em Roma, acabando assim com o avanço das mulheres na Igreja Católica no final do Século VI.
Sua imagem distorcida sofreu mudanças, em decorrência dos outros evangelhos, também considerados apócrifos e, atualmente, no meio espiritualista, é considerada como uma das primeiras e grandes Mestras da mensagem do Cristianismo original.
Todos lhes devemos homenagem, amor e respeito, pois demonstrou a harmonização das energias do Divino Feminino e Divino Masculino e a alta capacidade e grandeza de seu espírito.
Honremos, pois, esse Ser Ascencionado, por sua alma superior, amorosa e dedicada ao Bem Maior!
Bibliografia:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Evangelho de Maria Madalena – José Lázaro Boberg.
Gabriel Menezes – Anima e Animus: Como Equilibrar o Sagrado Feminino/Masculino?

Nara Pamplona – Nascida na cidade de Fortaleza- CE, vindo a residir na cidade do Rio de Janeiro ainda adolescente, nela tendo toda a sua formação educacional, do ensino Médio ao Superior. Colou grau em Direito, exercendo sua profissão até o ano de 1985, quando logrou êxito no Concurso Público para ingresso na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, aposentando-se no ano de 2007. Membro de diversas Academias e Letras e Artes do Brasil e do Exterior, participou de diversas coletâneas nacionais e internacionais como Antologia Pablo Neruda e convidados e Tributo a Eva Peron, tendo recebido as Insígnias comemorativas respectivas, bem como a alegria e honra em receber muitos prêmios e Comendas. Destaque dos anos de 2015/2020, e, na categoria de Melhores Coletâneas Poéticas e pelo livro “Acordes do Coração”, sua primeira publicação pela Literarte- Rio de Janeiro-RJ. Seu segundo livro “40 Poemas escolhidos pelo Autor foi publicado no ano de 2018 pela Editora Magico de Oz. Recentemente, ingressou nas Academias de Letras e Artes do Rio Grande do Sul e São Pedro da Aldeia-RJ, tendo, ainda, recebido vários prêmios e Comendas!’Recentemente ingressou em varias Academias de Letras.
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