Mercados/Negócios Plantão Policial Política Nacional

A Morte Silenciosa de “Sicário”: Acidente, Descuido ou Queima de Arquivo? – Corpo é enterrado hoje em Belo Horizonte

Coordenador de segurança do empresário Daniel Vorcaro, figura central no imbróglio do Banco Master, ele também era o administrador de um grupo de mensagens intitulado “A Turma”.

O corpo de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, mais conhecido pelo apelido que entregava sua função — “Sicário” —, será velado e enterrado neste domingo em Belo Horizonte. A morte encefálica do investigado no escândalo que envolve o Banco Master foi confirmada na noite de sexta-feira, num desfecho que levanta mais perguntas do que respostas.

Segundo a defesa, o óbito foi declarado às 18h55, após um longo e nebuloso protocolo médico iniciado ainda pela manhã. O corpo passou por necropsia no IML e foi liberado à família na tarde de sábado. O velório, discreto e reservado, ocorrerá longe dos holofotes, na região oeste da capital mineira, com sepultamento marcado para as 14h30 no Cemitério do Bonfim, palco final de uma história que talvez nunca seja totalmente esclarecida.

A versão oficial da Polícia Federal é a de sempre: suicídio. Mourão, preso durante uma operação que investigava as engrenagens obscuras do Banco Master, teria atentado contra a própria vida na quarta-feira, poucas horas depois de ser detido. Estava sozinho em uma cela na Superintendência da PF, em Belo Horizonte, à espera de transferência, quando foi encontrado desacordado. Os agentes ainda simularam uma tentativa de socorro, acionando o Samu, mas, segundo informações “apuradas”, o investigado teria passado tempo demais sem oxigenação no cérebro. Uma fatalidade, dizem.

Fatalidade ou coincidência? Mourão não era um preso qualquer. Coordenador de segurança do empresário Daniel Vorcaro, figura central no imbróglio do Banco Master, ele também era o administrador de um grupo de mensagens intitulado “A Turma”. No submundo digital desse grupo, segundo as investigações, tramavam-se não apenas intimidações contra adversários do empresário, mas também invasões a sistemas do Judiciário e das forças de segurança. “Sicário” sabia demais. Sabia dos nomes, dos métodos, das conexões perigosas que ligam o dinheiro sujo ao poder.

A Polícia Federal, claro, instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias. As imagens das câmeras de segurança da cela foram entregues ao ministro do STF André Mendonça, relator do processo. O que mostram essas imagens? Teriam sido “desligadas por manutenção” no momento crítico? Ou, num enredo já conhecido, simplesmente “não funcionavam”? O silêncio das câmeras é ensurdecedor.

A defesa, em nota calculada, confirmou a versão do suicídio, mas não poupou críticas ao “tempo de resposta” do atendimento. Um detalhe curioso num caso onde o socorro, quando chegou, já encontrou um homem com o cérebro irreversivelmente danificado. Tempo suficiente para que segredos morressem com ele.

Com um histórico criminal que incluía estelionato e ameaça, Mourão sabia que, no jogo sujo das elites, o Sicário pode se tornar, ele mesmo, o alvo. No xadrez dos negócios escusos, peças incômodas são eliminadas. E nada mais conveniente que um “suicídio” numa cela da Polícia Federal para encerrar um capítulo que prometia revelar os verdadeiros mandantes da trama. O corpo enterrado no Bonfim leva consigo as digitais de um esquema que, muito provavelmente, continuará operando nas sombras. Descanse em paz, “Sicário”. Ou não.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 08/03/26

Curta,compartilhe e siga-nos:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *