Como 10 empresas líderes estão redefinindo setores tradicionais e criando novas fronteiras competitivas com tecnologia, investimento maciço em P&D e adaptação à realidade local

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 26/11/2025
A Forbes Brasil revelou nesta quarta-feira (26) sua lista das 10 empresas mais inovadoras de 2025, pintando um retrato impressionante de um país em profunda transformação tecnológica. O que emerge da análise não são casos isolados de sucesso, mas um ecossistema robusto e diversificado onde empresas de setores tradicionais – do agronegócio à construção civil – estão liderando revoluções silenciosas.
A seleção, que considera avanços tecnológicos concretos, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e impacto financeiro mensurável, mostra companhias que combinam escala global com soluções genuinamente brasileiras. “Todas apresentaram inovações capazes de criar ou ampliar vantagens competitivas em seus mercados”, destacou a publicação.
Agronegócio 4.0: Do Campo ao Laboratório
No setor que tradicionalmente alavanca a economia brasileira, a inovação chegou com força total. A Biotrop estabeleceu nova fronteira nos bioinsumos tropicais, registrando cerca de 10 pedidos de patentes por ano enquanto mantém centros de pesquisa no Brasil, Estados Unidos e Europa. “Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor com soluções biológicas específicas para nosso ecossistema”, explica o positioning da empresa.
Na pecuária, o Grupo Campanelli representa a intensificação tecnológica em sua forma mais avançada. A empresa quadruplicou sua capacidade de confinamento em apenas cinco anos e mantém 3,7 mil animais em testes permanentes no maior centro de pesquisa pecuária da América Latina. “Cada animal é um dado, cada pasto um laboratório”, sintetiza a abordagem.
Mobilidade e Energia: A Revolução Elétrica com Sotaque Brasileiro
A BYD não apenas assumiu a liderança mundial em veículos elétricos em 2025 como também demonstrou sofisticação estratégica ao desenvolver o primeiro híbrido plug-in flex do país, voltado ao etanol. Sua fábrica na Bahia, com capacidade inicial de 150 mil unidades anuais, simboliza o duplo compromisso com escala global e adaptação local.
No setor energético, a Isa Energia Brasil implantou o primeiro sistema nacional de baterias em larga escala no litoral sul paulista, usando inteligência artificial para prever picos de consumo e inspecionar subestações com drones. “Estamos construindo a rede elétrica do futuro, mais inteligente e resiliente”, define o projeto.
Saúde e Aviação: Alta Tecnologia com Pesquisa Nacional
A EMS escreveu um capítulo importante na história farmacêutica nacional com o lançamento das primeiras canetas de liraglutida 100% nacionais, Olire e Lirux. O feito veio após investimento superior a R$ 1 bilhão em plataforma de peptídeos e é sustentado por 800 pesquisadores – número que deve ultrapassar mil em 2026.
Já a Embraer opera um laboratório voador remoto para testar tecnologias com menor custo e maior frequência. Com R$ 181 milhões de investimento e parceria com Finep, MCTI e instituições acadêmicas, o projeto representa a vanguarda da pesquisa aeronáutica global. “Testar mais, gastar menos, inovar mais rápido”, resume a filosofia.
Transformação Digital: Do Varejo aos Serviços Financeiros
A consolidação da Totvs com a incorporação da Linx por R$ 3,05 bilhões estruturou um ecossistema completo de gestão com foco em pequenas e médias empresas do varejo. “Criamos uma espinha dorsal digital para o varejo brasileiro”, define a visão da empresa integrada.
A Porto reorganizou operações em quatro verticais e criou plataforma que integra seguros, saúde, banco e serviços, atingindo 4,4 milhões de usuários ativos no aplicativo. “O cliente não quer mais produtos isolados, quer soluções integradas para sua vida”, justifica o modelo de negócio.
Indústria e Construção: Reinvenção de Setores Tradicionais
A Vulcabras investiu R$ 1 bilhão em seis anos em inovação e lançou o primeiro tênis de corrida com placa de grafeno do mundo, além de operar duas fábricas com energia 100% eólica. “Inovação de produto deve andar de mãos dadas com sustentabilidade operacional”, defende a empresa.
Na construção civil, a MRV produz cozinhas e banheiros em fábrica para reduzir tempo e custo de obra, enquanto implementa portal de IA generativa com cerca de 100 assistentes virtuais. “Industrializamos o processo e digitalizamos a gestão”, descreve a dupla transformação.
Padrões Comuns de Sucesso
Analisando os casos, emergem padrões claros:
- Investimento Aggressivo em P&D: De R$ 1 bi da EMS em peptídeos aos R$ 181 mi da Embraer no laboratório voador
- Adaptação à Realidade Local: Do híbrido flex da BYD aos bioinsumos tropicais da Biotrop
- Digitalização Profunda: Da IA generativa da MRV aos drones da Isa Energia
- Sustentabilidade como Vetor: Da energia eólica da Vulcabras aos bioinsumos da Biotrop
- Modelos de Colaboração: Da parceria público-privada da Embraer ao ecossistema da Porto
A Maturação de uma Economia Inovadora
O Brasil 2025 que emerge desses casos não é mais o país das commodities ou da indústria basicamente montadora. É uma economia que está aprendendo a transformar seu conhecimento local em vantagens competitivas globais, que está convertendo investimento massivo em P&D em produtos e patentes, e que está digitalizando setores tradicionais sem perder a escala.
Como conclui a análise da Forbes, “a lista reforça o momento de aceleração tecnológica em diversos setores da economia brasileira, com destaque para soluções adaptadas à realidade local e escala global”. As 10 empresas mostram que a inovação brasileira finalmente atingiu a maturidade – não é mais promessa, mas realidade mensurável em resultados financeiros, ganhos de eficiência e expansão de mercado.







